Ame ou odeie, fato é que o ChatGPT (e outras tecnologias de inteligência artificial) já se tornaram uma parte essencial do dia a dia de muita gente. Pensando na importância que esse chatbot acabou ganhando, torna-se ainda mais surpreendente a revelação que Bruno Alamo, cientista da computação que trabalhou na OpenAI, fez em entrevista ao Olhar Digital.
Em 2016, Alamo se tornou o primeiro sul-americano a fazer parte da equipe de pesquisadores da OpenAI, a empresa responsável por criar o ChatGPT, lá em São Francisco, nos Estados Unidos. O brasileiro trabalhou no programa de pesquisa SOCML, focado no desenvolvimento de redes recorrentes e modelos generativos de texto, justamente os alicerces tecnológicos que permitiram a criação do chatbot em 2022.
Criação do ChatGPT foi “acidental”, revelou brasileiro
Durante a conversa com o Olhar Digital, o cientista explicou que considera o ChatGPT mais como um “acidente”. “Sob a ótica científica, as métricas tradicionais de ciência de dados e distribuições probabilísticas não conseguem mensurar o valor prático de um modelo generativo. Então, uma IA pode parecer excelente em testes técnicos, mas ruim na prática por não gerar respostas criativas, por exemplo”, explicou.
Segundo Alamo, o imprevisto foi quando eles liberaram versões iniciais do chatbot e o público começou a utilizar a ferramenta para finalidades imprevistas e, o mais surpreendente, dizer que estava funcionando. “Isso revelou utilidade em áreas onde sequer existiam bases de dados ou parâmetros de avaliação (benchmarks) anteriores para validar sua eficiência”, complementou.
O cientista aponta que, do ponto de vista de produto, o lançamento inicial do ChatGPT era apenas uma caixa de texto simples em que o usuário escrevia e a IA gerava conteúdo. A questão que “ninguém imaginava”, de acordo com o brasileiro, é que aquele era um modelo “inteligente”. “Entre funcionar e gerar valor existe um gap muito grande”, conclui.




