A partir de 3 de setembro, o mercado brasileiro de proteínas animais poderá enfrentar um novo cenário nas exportações para a Europa. A União Europeia oficializou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a vender determinados produtos de origem animal ao bloco, decisão que pode interromper embarques de carnes e derivados caso não haja uma reversão até a data prevista.
A medida foi publicada pela Comissão Europeia na última sexta-feira (5) e afeta produtos como carnes bovina, suína e de aves, além de pescados, mel, equinos e tripas. Segundo o regulamento europeu, o Brasil não apresentou informações consideradas suficientes para comprovar o cumprimento das exigências relacionadas ao controle e ao uso de determinados medicamentos antimicrobianos na produção animal.
No ano passado, os produtos abrangidos pela restrição movimentaram quase US$ 2 bilhões em exportações brasileiras para o mercado europeu.
Diante da decisão, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo federal trabalhará para reverter a medida antes da entrada em vigor.
Segundo ele, o governo mantém diálogo com o Ministério da Agricultura para buscar uma solução junto às autoridades europeias. Nos últimos dias, novas informações técnicas foram encaminhadas a Bruxelas para avaliação, na tentativa de demonstrar o cumprimento dos requisitos sanitários exigidos pelo bloco.
Protocolo para bovinos sem antimicrobianos
Como parte da estratégia para tentar recuperar a habilitação, o Brasil apresentou recentemente um protocolo privado voltado à exportação de bovinos livres de antimicrobianos. O sistema foi homologado pelo Ministério da Agricultura e prevê que uma entidade privada certifique que os animais não receberam tratamento com os medicamentos ao longo de toda a vida produtiva, com posterior validação oficial do governo.
Apesar da iniciativa, especialistas do setor avaliam que a proposta pode não ser suficiente para atender às exigências europeias. Fontes ligadas ao mercado afirmam que o mecanismo foi recebido com ceticismo e que ainda não há garantia de que terá efeito prático nas negociações.
Setor teme impacto nas exportações
A decisão da União Europeia gerou preocupação entre representantes da cadeia produtiva. Alguns segmentos consideram difícil uma reversão rápida do embargo e já discutem alternativas para manter o abastecimento do mercado europeu.
Entre as possibilidades analisadas por grandes frigoríficos está a ampliação das exportações a partir de unidades instaladas em países vizinhos, como Argentina e Uruguai, que não foram atingidos pela medida.
O Brasil foi o único integrante do Mercosul incluído na restrição sanitária anunciada pelos europeus. Caso a decisão seja mantida, a partir de setembro produtores e exportadores terão de se adaptar a um dos maiores desafios recentes no comércio internacional de proteínas animais do país.




