A cidade de São Thomé das Letras, situada no sul de Minas Gerais a 1.440 metros de altitude, é um dos destinos mais enigmáticos do país. Construída sobre uma extensa camada de quartzito branco, a arquitetura local se caracteriza pela ausência de argamassa entre as pedras, técnica que confere às edificações uma aparência rústica e integrada à paisagem.
Mas o que realmente atrai visitantes de todas as partes é o conjunto de mistérios que envolvem o lugar, desde pinturas rupestres milenares até relatos de avistamentos de objetos voadores não identificados.
Gruta do Carimbado
A Gruta do Carimbado, no final da Ladeira do Amendoim, é palco de uma das lendas mais curiosas da região. Moradores e frequentadores afirmam que ali existe uma passagem subterrânea escavada pelos incas, que se estenderia por milhares de quilômetros até o santuário de Machu Picchu, no Peru.
A distância de 3 mil quilômetros não abalou a crença, que ganhou força nos anos 1990, quando grupos de aventureiros tentaram explorar a caverna. As expedições, no entanto, não produziram provas concretas. Em 2012, a entrada foi interditada, e o mistério permaneceu intacto.
Serra das Letras
Antes de se tornar um polo esotérico, a região era conhecida como Serra das Letras, em referência a inscrições rupestres encontradas em uma gruta central. Os traços avermelhados são atribuídos aos índios Cataguases, que ocuparam a área até o século 18.
Arqueólogos estimam que algumas pinturas tenham entre 2 mil e 5 mil anos, mas a leitura dos símbolos nunca foi consensual. Enquanto a hipótese arqueológica defende a origem indígena e ritualística, uma versão jesuíta do século 18 sugere que os desenhos teriam relação com a passagem do apóstolo São Tomé. Já correntes místicas associam os grafismos a símbolos fenícios ou a códigos energéticos ligados aos sete chacras do planeta.
A fama esotérica da cidade ganhou força nos anos 1980, quando São Thomé passou a ser incluída em listas internacionais de pontos energéticos da Terra. O quartzito do solo, segundo os adeptos dessa visão, funcionaria como um condutor natural de campos magnéticos. Em 2024, a pedra recebeu o reconhecimento oficial do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, que concedeu à região o registro de Indicação Geográfica.




