Uma pesquisa publicada na revista Nature revelou uma diferença térmica significativa entre as regiões internas do norte e do sul de Marte. O interior do hemisfério sul do planeta é de 200 a 400 graus Celsius mais quente que sua contraparte setentrional, apresentando-se parcialmente fundido.
A descoberta, liderada por Alexander Berne, da Universidade do Arizona, e realizada durante seu doutorado no Caltech, oferece novas pistas sobre a evolução do Planeta Vermelho e os períodos em que ele pode ter abrigado condições propícias à vida.
A equipe utilizou dados coletados ao longo de décadas pelas missões Mars Global Surveyor, Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter. A técnica empregada, chamada tomografia de maré, mede variações no campo gravitacional marciano causadas pela influência do Sol, cuja intensidade flutua conforme a órbita elíptica e a inclinação axial do planeta.
Com base nessas medições, os pesquisadores reconstruíram a estrutura tridimensional do interior marciano, algo que vai além da suposição tradicional de simetria esférica.
Assimetria térmica observada no subsolo
A assimetria térmica observada no subsolo ajuda a explicar fenômenos já documentados na superfície. Marte é geologicamente dividido entre um sul montanhoso e acidentado e um norte plano e baixo.
A nova descoberta sugere que essa dicotomia superficial pode ter raízes profundas. Anomalias magnéticas em minerais de ferro localizados no sul, por exemplo, poderiam ser resultado de um campo magnético mais intenso naquela região, impulsionado pelo calor interno.
Da mesma forma, dados da missão InSight da NASA indicavam que ondas sísmicas se dissipavam mais rapidamente no sul, o que agora encontra uma explicação plausível na temperatura mais elevada do manto.
Os pesquisadores apontam que a compreensão dessa dicotomia térmica é fundamental para reconstituir a hidrologia marciana. A origem da anomalia térmica ainda não foi determinada com certeza.











