O Atlético-MG poderá contar com uma importante fonte de receita durante a Copa do Mundo de 2026. Por meio do Programa de Benefícios aos Clubes da FIFA, a entidade pagará cerca de US$ 5 mil (aproximadamente R$ 25 mil) por dia para cada jogador cedido ao torneio, valor que pode representar aproximadamente R$ 100 mil diários aos cofres alvinegros, dependendo do número de atletas convocados e do tempo de permanência das seleções na competição.
A iniciativa faz parte de um programa criado pela FIFA para compensar os clubes pela liberação de jogadores durante o Mundial. Ao todo, a entidade distribuirá US$ 250 milhões entre equipes de todo o mundo que tiverem atletas convocados para a competição.
Os pagamentos serão calculados com base no número de jogadores participantes e na quantidade de dias em que permanecerem vinculados às respectivas seleções durante a Copa. Embora os valores sejam inferiores aos pagos na edição de 2022, quando a FIFA desembolsou cerca de US$ 10 mil por atleta por dia, a compensação continua sendo considerada relevante para os clubes.
Receita extra surge em meio a dívida bilionária
A possibilidade de reforço financeiro ocorre em um momento delicado para as contas do Atlético-MG. O clube vem convivendo com um elevado nível de endividamento e divulgou recentemente números que acenderam o alerta nos bastidores.
As demonstrações financeiras de 2025 apontaram um prejuízo contábil de R$ 882 milhões. Desse total, R$ 572 milhões estão relacionados a uma perda de valor recuperável dos ativos ligados ao departamento de futebol, registrada após avaliação independente realizada pela LCA Consultores. Segundo o clube, trata-se de um efeito não financeiro e pontual, o que reduziria o prejuízo operacional para cerca de R$ 310 milhões.
Além disso, a dívida total do Atlético-MG ultrapassou a marca de R$ 2 bilhões. Pelos critérios adotados pelo clube, que descontam ativos com efeito de caixa, o endividamento é calculado em aproximadamente R$ 1,78 bilhão. Já levantamentos que consideram os passivos de curto e longo prazo apontam um montante superior a R$ 2,1 bilhões.
Outro fator que preocupa é o crescimento das obrigações financeiras. O endividamento bancário saltou de R$ 555 milhões para R$ 654 milhões, enquanto as dívidas tributárias passaram de R$ 388 milhões para R$ 487 milhões. Já os compromissos relacionados à compra de jogadores mais que dobraram, avançando de R$ 100 milhões para R$ 243 milhões.
Receitas cresceram, mas não evitaram déficit
Apesar do cenário de endividamento, o Atlético-MG registrou crescimento de receitas em 2025. A arrecadação bruta alcançou R$ 768 milhões, alta de 14% em comparação ao ano anterior.
A maior parte dos recursos veio dos direitos de transmissão, bilheteria, programas de sócio-torcedor, premiações, receitas comerciais e operações da Arena MRV. As receitas líquidas somaram R$ 727 milhões, impulsionadas principalmente pelos direitos de transmissão (R$ 282 milhões), vendas de atletas (R$ 203 milhões) e exploração comercial (R$ 139 milhões).




