Pular corda pode parecer apenas uma brincadeira comum da infância, mas a atividade também reúne estímulos físicos e cognitivos importantes. Um estudo publicado em 2024 na revista Frontiers in Psychology apontou que crianças de 7 a 9 anos que participaram regularmente de atividades com corda apresentaram melhores resultados em testes relacionados à atenção seletiva, capacidade necessária para concentrar-se em uma informação enquanto outros estímulos competem pela atenção.
A pesquisa acompanhou 60 crianças dessa faixa etária. Os participantes foram divididos em dois grupos: enquanto 30 mantiveram suas atividades habituais, os outros 30 participaram de um programa estruturado de pular corda durante dez semanas.
As sessões aconteciam duas vezes por semana, com duração de uma hora. Durante os encontros, as crianças realizavam diferentes movimentos, incluindo saltos com os dois pés, deslocamentos laterais, elevação dos joelhos e cruzamentos.
Os resultados sugeriram uma relação positiva entre a prática da atividade e o desempenho da atenção. O achado coloca uma brincadeira tradicional da infância também como uma possível ferramenta para combinar atividade física e estímulos ligados ao funcionamento cognitivo.
Atividade também pode beneficiar a atenção em estudantes mais velhos
Outra pesquisa publicada pela Frontiers in Psychology, conduzida por pesquisadores da Universidade de Yangzhou, na China, analisou os efeitos da prática de pular corda durante o intervalo escolar sobre a atenção e aspectos emocionais de estudantes.
Nesse caso, foram avaliados 160 alunos, sendo 80 meninos e 80 meninas, com idades entre 13,9 e 14,5 anos, matriculados no 8º e 9º anos de uma escola em Shijiazhuang. Os estudantes foram distribuídos em quatro grupos de acordo com a série e o formato da atividade — individual ou cooperativo.
A intervenção durou 16 semanas, com sessões de 15 minutos durante o recreio. Os pesquisadores avaliaram a atenção em sala de aula, as emoções durante o intervalo e os estados emocionais relacionados às atividades acadêmicas em três momentos: antes, durante e depois da intervenção.
Ao final, a pontuação média de atenção em sala aumentou de 65,54 para 74,68. As análises também identificaram mudanças nos indicadores emocionais e uma associação positiva entre a melhora das emoções e o aumento da atenção. A correlação mais forte foi observada entre as mudanças nas emoções acadêmicas e na atenção em sala, com r = 0,450 e p < 0,001.
Os resultados, portanto, reforçam a hipótese de que períodos de atividade física podem estar relacionados não apenas ao condicionamento corporal, mas também ao desempenho atencional e ao estado emocional dos estudantes.
Por que pular corda exige tanta coordenação?
A atividade envolve uma combinação de movimentos que precisam acontecer praticamente ao mesmo tempo. Os braços controlam a rotação da corda, enquanto as pernas precisam realizar o salto e aterrissar no momento adequado. Ao mesmo tempo, o tronco precisa permanecer relativamente estável.
Esse processo exige equilíbrio, ritmo, reação e coordenação motora. Por isso, a prática também pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades úteis em outras modalidades esportivas, principalmente aquelas que dependem de movimentos coordenados, como tênis, badminton e tênis de mesa.
Outro efeito está relacionado ao sistema cardiorrespiratório. Pular corda eleva a frequência cardíaca e acelera a respiração, fazendo com que o organismo precise captar e transportar mais oxigênio para os músculos.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças e adolescentes de 5 a 17 anos realizem pelo menos 60 minutos diários de atividade física de intensidade moderada a vigorosa, além de atividades que fortaleçam músculos e ossos em pelo menos três dias da semana.
Isso não significa que os 60 minutos precisem ser preenchidos exclusivamente com pular corda. Corridas, brincadeiras, jogos com bola, subir escadas e outras atividades podem contribuir para alcançar o volume recomendado quando apresentam intensidade adequada.











