Durante quase dois séculos, a tartaruga-gigante de Floreana foi considerada perdida para sempre. A espécie desapareceu da ilha de Floreana, no arquipélago de Galápagos, por volta de 1850, vítima principalmente da caça e da introdução de animais invasores. Agora, porém, pesquisadores conseguiram confirmar que a linhagem não havia desaparecido completamente, e exemplares descendentes desses animais estão voltando ao território ancestral.
A história ganhou um capítulo decisivo quando cientistas encontraram, em 2000, milhares de tartarugas com características incomuns nas proximidades do vulcão Wolf, na ilha de Isabela. Inicialmente, os pesquisadores sequer sabiam exatamente o que haviam encontrado. Por causa da aparência diferente dos animais, eles chegaram a chamá-los de “alienígenas”.
A investigação genética posteriormente revelou que as tartarugas carregavam material associado à antiga população de Floreana. A descoberta abriu caminho para um dos mais ambiciosos esforços de conservação do arquipélago: recuperar a linhagem e devolver as tartarugas à ilha onde seus ancestrais viveram.

Animais desapareceram após séculos de exploração
As tartarugas-gigantes chegaram às Galápagos a partir da América do Sul entre 2 milhões e 3 milhões de anos atrás. Isoladas nas diferentes ilhas do arquipélago, as populações passaram por processos evolutivos próprios e desenvolveram características distintas de acordo com o ambiente em que viviam.
Em determinado momento, Galápagos chegou a abrigar 14 espécies diferentes de tartarugas-gigantes. A abundância, entretanto, começou a desaparecer com a chegada e permanência de seres humanos.
Durante as viagens marítimas, navegadores capturavam as tartarugas para levá-las nos navios como fonte de alimento. Os animais podiam sobreviver por longos períodos sem comida ou água, tornando-se uma reserva de carne particularmente útil durante expedições que duravam meses.
A situação piorou com a introdução de espécies não nativas. Cães, cavalos e ratos passaram a ocupar o arquipélago e afetaram diretamente as populações de tartarugas, principalmente ao atacar indivíduos jovens, disputar recursos ou destruir seus habitats.
Em 2012, restavam 12 espécies vivas, distribuídas por dez ilhas. Estimativas divulgadas pela Galápagos Conservancy em 2021 apontavam que entre 200 mil e 300 mil tartarugas-gigantes ainda sobreviviam no arquipélago — apenas entre 10% e 15% do número estimado antes da grande redução populacional.
A descoberta dos “alienígenas” mudou a história
A tartaruga-gigante de Floreana foi a primeira espécie do arquipélago a ser considerada extinta. Por aproximadamente 150 anos, não havia evidências de que aquela linhagem continuasse existindo.
Isso mudou em 2000, quando pesquisadores encontraram milhares de tartarugas na região do vulcão Wolf, em Isabela. Os animais apresentavam características que não correspondiam exatamente às populações conhecidas daquela ilha.
A equipe liderada pelo pesquisador James Gibbs, vice-presidente de Ciência e Conservação da Galápagos Conservancy, coletou amostras de sangue e enviou o material para especialistas da Universidade Yale, nos Estados Unidos.
Os testes genéticos trouxeram a resposta: parte daqueles animais descendia da linhagem da tartaruga-gigante de Floreana.











