Um documento entregue pela Confederação Nacional da Indústria ao presidente da Câmara, Hugo Motta, reforçou a pressão do setor produtivo contra o fim da escala 6×1 no Brasil. O texto, assinado por federações estaduais, associações e sindicatos industriais, manifesta preocupação com o avanço de propostas que reduzem a jornada de trabalho no país.
No posicionamento, a entidade afirma que, embora o debate seja legítimo, a mudança pode gerar “impactos severos” sobre a economia, os investimentos e a geração de empregos formais. Estimativas apresentadas indicam que a redução da jornada poderia elevar os custos com trabalhadores em até R$ 267 bilhões por ano.
Apesar das críticas da indústria, análises técnicas apresentam visões distintas sobre os efeitos da medida. Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada aponta que a redução da jornada poderia elevar o custo médio do trabalho em cerca de 7,84%, mas com impacto diluído em grande parte dos setores.
Segundo o estudo, em áreas como indústria e comércio, o aumento no custo operacional seria inferior a 1%, devido ao peso relativamente menor da mão de obra no total de despesas. Já setores mais intensivos em trabalho, como segurança e vigilância, poderiam enfrentar impactos maiores.
Outra análise, realizada pelo Banco Inter, indica possível redução de até 0,82% no Produto Interno Bruto (PIB) no médio prazo, embora reconheça que ganhos de produtividade podem compensar parte das perdas.
Debate envolve produtividade e emprego
Especialistas destacam que mudanças na jornada não necessariamente resultam em queda no emprego, citando exemplos históricos de reajustes do salário mínimo e alterações na legislação trabalhista que não provocaram retração no mercado.
Ao mesmo tempo, o setor produtivo defende cautela e maior debate antes da implementação de mudanças estruturais, especialmente diante das diferenças entre segmentos econômicos.
Tramitação na Câmara
A expectativa da presidência da Câmara é que o tema avance nas próximas semanas, com possibilidade de votação ainda neste semestre.
A discussão ocorre paralelamente ao andamento de propostas no Legislativo. A Câmara dos Deputados instalou uma comissão especial para analisar medidas que tratam do fim da escala 6×1, incluindo projetos de diferentes autores.
Entre eles, estão a proposta da deputada Erika Hilton, que prevê jornada de 36 horas semanais com modelo 4×3, e a do deputado Reginaldo Lopes, que propõe redução gradual ao longo de dez anos. O governo também apresentou um projeto para limitar a jornada a 40 horas semanais.




