O sarampo voltou a provocar mortes nos Estados Unidos em um nível que há décadas não era registrado. Autoridades de saúde da Pensilvânia confirmaram mais duas mortes associadas à doença, elevando para quatro o número de óbitos no estado somente em 2026. O avanço ocorre em meio a um surto que já contabiliza quase 700 casos na região e contribui para um dos períodos mais preocupantes de reemergência da doença no país.
Os dois pacientes mortos não eram vacinados, segundo o Departamento de Saúde da Pensilvânia. Um deles morava no condado de Jefferson e o outro, no condado de Mifflin. O estado informou que não divulgará outras informações capazes de identificar as vítimas.
A situação chama atenção porque a Pensilvânia não registrava uma morte relacionada ao sarampo havia 35 anos. Agora, quatro óbitos foram registrados em poucas semanas.
No país, os dados oficiais também são afetados por uma mudança na forma de contabilização adotada pelo governo federal. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) não inclui atualmente essas mortes na contagem nacional. Em 2025, três pessoas morreram em decorrência do sarampo nos Estados Unidos.

Doença altamente contagiosa pode causar complicações graves
O sarampo está entre as doenças infecciosas mais contagiosas conhecidas pela medicina. Embora muitas pessoas apresentem sintomas como febre, tosse, coriza, olhos avermelhados e manchas na pele, a infecção também pode evoluir para quadros graves.
Entre as complicações estão a pneumonia e problemas neurológicos. Estimativas apontam que uma a três pessoas a cada mil infectadas podem morrer em decorrência de complicações da doença.
Um dos óbitos anunciados recentemente na Pensilvânia envolveu um jovem de 18 anos do condado de Mifflin. Ele desenvolveu encefalomielite, uma complicação neurológica rara e grave provocada pelo vírus.
A necessidade de hospitalização também não é desprezível: até uma em cada cinco pessoas infectadas pode precisar de atendimento hospitalar.
O surto da Pensilvânia está concentrado principalmente em áreas agrícolas dos condados de Lancaster e Mifflin. Outros estados, como Utah, Flórida, Virgínia e Texas, também registraram dezenas de casos.
Ao todo, os Estados Unidos já ultrapassaram 3.300 casos de sarampo em 2026, embora especialistas considerem que os números epidemiológicos possam representar uma subnotificação.
Vacina continua sendo principal forma de prevenção
A principal ferramenta para impedir a transmissão do sarampo continua sendo a vacinação. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, apresenta eficácia de aproximadamente 97% na prevenção do sarampo quando o esquema recomendado é seguido.
O cenário americano preocupa justamente porque as taxas de vacinação entre crianças em idade escolar vêm apresentando queda gradual. Especialistas apontam que a redução da cobertura cria condições para que o vírus volte a circular com maior facilidade.
No Brasil, o Ministério da Saúde também acompanha o cenário internacional e os casos registrados no território nacional. Em 2026, foram confirmados 27 casos de sarampo, sendo 24 ligados a uma cadeia de transmissão iniciada em junho no estado de São Paulo.
Desse total, 21 casos foram registrados na capital paulista, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Os outros três registros — dois em São Paulo e um no Rio de Janeiro — não possuem relação entre si e já foram considerados encerrados após 12 semanas sem novas ocorrências associadas.
Apesar dos registros, o Ministério da Saúde afirma que o Brasil permanece livre da circulação endêmica do sarampo. Em 2025, foram identificados 38 casos importados ou relacionados à importação, que foram controlados pelas ações de vigilância epidemiológica e vacinação.
Brasil ampliou vacinação nos últimos anos
O país também apresenta uma recuperação importante nas coberturas vacinais. Depois de seis anos consecutivos de queda, os índices começaram a crescer novamente a partir de 2023.
A cobertura da tríplice viral, que havia ficado abaixo de 80% em 2021, ultrapassou 93% em 2025. O resultado foi o melhor registrado no Brasil em nove anos.
Segundo o Ministério da Saúde, o número de crianças protegidas aumentou, em média, 10% ao ano, o que representa aproximadamente 1 milhão de crianças a mais vacinadas anualmente nos primeiros anos de vida.
Em 2026, o governo federal já distribuiu mais de 13 milhões de doses da tríplice viral para estados e municípios. Mais de 5,4 milhões de doses foram aplicadas em todo o país.











