O aumento expressivo no preço dos combustíveis tem provocado mudanças no comportamento de motoristas nos Estados Unidos, onde alguns consumidores já recorrem até à venda de plasma sanguíneo para conseguir abastecer seus veículos. O cenário ocorre em meio à escalada dos preços da gasolina, impulsionada por tensões geopolíticas envolvendo o Irã.
Dados da American Automobile Association indicam que o preço médio da gasolina ultrapassou US$ 4 por galão, nível mais alto em mais de três anos. Desde o fim de fevereiro, quando o conflito no Oriente Médio se intensificou, os preços acumulam alta superior a 30%.
Com o impacto direto no orçamento, motoristas passaram a reduzir o consumo de combustível. Entre fevereiro e março, as vendas médias por posto no nordeste dos EUA caíram 4,3%, revertendo a tendência de crescimento observada no mesmo período do ano anterior.
A estratégia adotada inclui abastecimentos menores e mais frequentes, uso de aplicativos para encontrar preços mais baixos, compartilhamento de caronas e redução de deslocamentos não essenciais.
O fenômeno é interpretado por analistas como um sinal inicial de “destruição de demanda”, quando o consumo diminui diante de preços elevados.
Venda de plasma vira alternativa de renda
Diante da pressão econômica, alguns americanos passaram a buscar fontes alternativas de renda para cobrir despesas básicas, incluindo o combustível. Entre elas, destaca-se a venda de plasma sanguíneo, prática legal e regulamentada no país.
Relatos indicam que motoristas têm recorrido a essa atividade para complementar o orçamento. Em alguns casos, o dinheiro obtido com as doações é usado diretamente para abastecer veículos ou custear deslocamentos diários.
O setor movimenta cerca de US$ 4,7 bilhões por ano, com mais de 62 milhões de litros coletados. Os Estados Unidos concentram aproximadamente 70% da oferta global de plasma, com mais de 1.200 centros de coleta espalhados pelo país.
Impacto econômico e cenário global
A alta nos combustíveis está ligada a riscos na oferta global de petróleo, especialmente após tensões envolvendo rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz. Autoridades americanas, como a Agência de Proteção Ambiental, já sinalizaram medidas emergenciais para tentar conter a escalada de preços.
Mesmo assim, especialistas apontam que a demanda por combustível tende a se manter relativamente estável no médio prazo, devido à dependência do transporte individual em diversas regiões do país.




