O hantavírus começou a preocupar autoridades de saúde pelo mundo depois do navio de cruzeiro em que três pessoas morreram devido à doença. Os acontecimentos também deixaram muitas pessoas com medo de uma “nova pandemia”, principalmente quando lembramos que foi justamente por causa de um navio de cruzeiro que o vírus da Covid-19 se espalhou pela comunidade de Sydney, na Austrália. Mas será que essas preocupações são válidas?
Antes de tudo, é claro que a situação gera preocupação, principalmente porque, no navio, foi identificada a cepa andina do vírus, que pode ser transmitida entre humanos. Mas especialistas de saúde, inclusive da Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que o hantavírus não possui as características necessárias para se tornar uma “nova Covid-19”.
Por que o hantavírus não deve se tornar a “próxima pandemia”?
O principal motivo é a forma de transmissão. O vírus da Covid, o SARS-CoV-2, espalha-se com muita eficiência pelo ar, assim como outros vírus de doenças gripais. O hantavírus, por outro lado, normalmente não é transmitido de pessoa para pessoa, com exceção dessa cepa andina. E, como explica o The Conversation, ainda que essa cepa possa ser transmitida entre humanos, essa transmissão precisa de uma combinação de fatores: pessoas sintomáticas em espaços lotados e mal ventilados, com contato próximo ao longo de um bom tempo.
“O vírus dos Andes é perigoso para os infectados, mas não é um bom candidato para disseminação pandêmica. Ele tem um período de incubação lento, geralmente se espalha por contato próximo e a transmissão parece ser mais eficiente quando as pessoas apresentam sintomas”, resume o texto do The Conversation, escrito por Rhys Perry, pesquisador associado em Virologia na Universidade de Queensland, na Austrália.




