O preço do café pode enfrentar novas pressões nos próximos anos diante das incertezas climáticas provocadas pelo possível retorno de um El Niño de forte intensidade. Especialistas do setor alertam que o fenômeno, previsto para ganhar força entre o fim de 2026 e o início de 2027, pode afetar importantes regiões produtoras e influenciar a oferta global da bebida.
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima que há mais de 60% de chance de ocorrência de um evento considerado forte entre novembro e janeiro. Apesar de ainda não ser possível determinar a intensidade exata do fenômeno, o mercado de café já monitora os possíveis impactos sobre as próximas safras.
O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, provocando alterações nos padrões climáticos em diferentes partes do planeta. Dependendo da região, o fenômeno pode causar períodos de seca, excesso de chuvas e mudanças nas temperaturas.
Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, os efeitos sobre o café variam conforme a intensidade do evento, sua duração e o estágio de desenvolvimento das lavouras no momento da ocorrência.
A preocupação do setor está relacionada principalmente à possibilidade de redução da oferta em algumas das principais regiões produtoras do mundo, especialmente na América Central e na Ásia, onde as condições climáticas podem comprometer etapas importantes do desenvolvimento das plantas.
Brasil deve ter impacto limitado na safra atual
Apesar dos alertas internacionais, o Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, não deve sofrer impactos significativos na safra 2026/27, segundo as projeções atuais.
A colheita brasileira avançou nas últimas semanas favorecida pelo clima mais seco e pelo aumento das temperaturas. De acordo com levantamento da consultoria Safras & Mercado, 52% da safra 2026/27 já havia sido colhida até 1º de julho, oito pontos percentuais acima do registrado na semana anterior.
Mesmo com a perspectiva de uma produção nacional mais protegida neste ciclo, especialistas destacam que mudanças climáticas durante o outono e o inverno podem provocar atrasos na colheita e aumentar a volatilidade dos preços no mercado.
Próxima safra exige atenção dos produtores
Embora a safra atual não esteja entre as mais ameaçadas pelo El Niño, o cenário para o ciclo 2027/28 gera maior preocupação. Isso porque o fenômeno pode coincidir com o período de floração das lavouras brasileiras, uma fase considerada decisiva para determinar o potencial produtivo.
A formação adequada das flores depende de condições equilibradas de temperatura e chuva. Alterações nesse período podem reduzir a produtividade futura e influenciar diretamente a quantidade de café disponível no mercado.
Com o mercado global de café altamente dependente das condições climáticas, qualquer redução significativa na produção internacional pode pressionar os valores pagos pelos consumidores.
A América Central e países produtores da Ásia estão entre as regiões que mais preocupam os analistas, já que possíveis alterações no regime de chuvas e temperatura podem afetar tanto a safra 2026/27 quanto os ciclos seguintes.



