A perda progressiva da audição é um dos efeitos mais comuns do envelhecimento e o uso do aparelho auditivo surge como uma opção para ajudar idosos a retomarem sua qualidade de vida. Mas os benefícios desse tipo de aparelho não se limitam apenas a ajudar o idoso a escutar melhor. Um estudo descobriu que o aparelho pode ajudar a reduzir quase pela metade o ritmo do declínio cognitivo em idosos.
Entenda como foi feito o estudo
De acordo com a Agência Einstein, o estudo em questão se chama ACHIEVE e seus resultados foram publicado na revista científica The Lancet. Feita nos Estados Unidos, a pesquisa contou com a participação de 977 idosos entre 70 e 84 anos, todos com um diagnóstico de perda auditiva. Eles tinham perfis auditivos semelhantes e não apresentavam comprometimento cognitivo significativo. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu aparelhos auditivos e sessões regulares com fonoaudiólogos, além de estratégias de reabilitação auditiva. O segundo participou de um curso sobre envelhecimento saudável e de encontros com um educador em saúde.
Todos os participantes passaram por uma bateria de testes neurocognitivos, englobando habilidades como memória lógica, teste de fluência verbal, substituição de símbolos por dígitos, entre outras. Não houve uma diferença significativa no declínio cognitivo entre os dois grupos, mas os resultados encontraram outras variações.
Segundo a Einstein, houve uma redução de 48% no declínio cognitivo entre idosos com maior risco que usaram o aparelho auditivo em comparação ao grupo de controle. Os pesquisadores afirmam que esse resultado reforça evidências prévias da importância do tratamento da perda auditiva para diminuir o risco de demência em idosos.
Por que aparelho auditivo ajuda a combater declínio cognitivo?
Entrevistada pela Einstein, a fonoaudióloga Cristiana Corrêa de Almeida, do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que a audição tem um papel fundamental em fornecer estímulos sensoriais ao cérebro. Ou seja: uma perda auditiva não tratada diminui a quantidade e qualidade desses estímulos. A falta desses estímulos pode contribuir para a diminuição das funções cognitivas e a degeneração neuronal, segundo a especialista.
Outra questão, aponta a fonoaudióloga, é que a perda auditiva pode fazer com que idosos tenham dificuldade de se comunicar e de socializar. O isolamento social é outro fator ligado à deterioração cognitiva.











