O El Niño deve ganhar ainda mais força em setembro de 2026, aumentando a possibilidade de condições meteorológicas extremas em diferentes partes do mundo e influenciando também o padrão climático observado no Brasil. Com o oceano Pacífico Equatorial apresentando forte aquecimento, especialistas alertam para uma temporada com maior frequência de sistemas ciclônicos no oceano e mudanças importantes no regime de chuvas e temperaturas.
As projeções apontam que o fenômeno tem mais de 90% de probabilidade de permanecer em intensidade forte durante setembro. Há ainda uma estimativa de 69% de chance de que o episódio alcance intensidade histórica, superando os registros observados desde 1950.
Caso esse cenário se confirme, a temperatura da superfície do mar na região do Niño 3.4, utilizada como uma das principais referências para medir a intensidade do El Niño, poderá atingir 2,5°C ou mais durante o trimestre entre outubro e dezembro.
Os sinais de fortalecimento do El Niño já aparecem nas medições realizadas no Pacífico Equatorial. Dados divulgados em 13 de agosto indicaram que as anomalias da temperatura da superfície do mar ultrapassaram 2°C no Pacífico Equatorial Leste durante julho.
No mesmo período, os principais índices utilizados para acompanhar o fenômeno também apresentaram valores elevados. O Niño 3.4 chegou a +1,4°C, enquanto o Niño 3 atingiu +1,7°C e o Niño 1+2 alcançou +2,9°C.
O aquecimento não está restrito à superfície. Existe uma grande quantidade de calor acumulada nas camadas inferiores do oceano, com algumas áreas apresentando anomalias de até +10°C em profundidade.
A evolução chama atenção porque representa uma mudança rápida em relação ao comportamento observado no ano anterior. Os índices permaneceram negativos durante boa parte de 2025 e no começo de 2026, mas começaram a subir nos primeiros meses deste ano, com aceleração principalmente nas regiões Niño 3 e Niño 1+2.

Ciclones podem ganhar espaço nos oceanos
O fortalecimento do El Niño também pode alterar as condições atmosféricas e oceânicas que favorecem a formação de sistemas ciclônicos. A partir de setembro, meteorologistas projetam aumento no número de ciclones formados sobre o oceano, embora a intensidade, a trajetória e os impactos de cada sistema dependam das condições encontradas ao longo de sua formação.
Para o Brasil, isso significa que o comportamento do fenômeno deve ser acompanhado com atenção, especialmente porque a influência do El Niño pode modificar padrões de temperatura, chuva e circulação atmosférica.
O cenário não significa, porém, que todos os ciclones necessariamente atingirão o território brasileiro. Sistemas formados no oceano podem permanecer afastados da costa, mudar de trajetória ou perder força antes de provocar efeitos diretos no país.
Além da atividade ciclônica, o fenômeno é associado a mudanças na distribuição das chuvas e ao aumento do risco de ondas de calor e eventos extremos.
Fenômeno pode atingir nível histórico
A possibilidade de um El Niño excepcional é um dos principais pontos de atenção para os próximos meses. A projeção de 69% de probabilidade de um episódio histórico considera a possibilidade de a anomalia do Niño 3.4 alcançar ou superar 2,5°C no trimestre outubro-novembro-dezembro.
A intensidade colocaria o atual episódio entre os mais fortes desde o início das séries históricas, em 1950.
Ainda assim, a classificação final dependerá da evolução das temperaturas do oceano e da interação entre o Pacífico e a atmosfera. Por isso, os dados deverão continuar sendo atualizados conforme o fenômeno avança.
Efeito do fenômeno não aparece imediatamente
Uma característica importante do El Niño é que seus efeitos podem surgir meses depois do pico de aquecimento do Pacífico. Segundo uma análise da Berkeley Earth citada pelo Carbon Brief, uma elevação de 1°C na temperatura do Niño 3.4 está associada a uma alta de aproximadamente 0,1°C na temperatura média global.
Essa resposta costuma apresentar uma defasagem de três a seis meses. O histórico dos grandes episódios ajuda a ilustrar essa relação: os El Niños iniciados em 1997, 2015 e 2023 foram seguidos, respectivamente, pelos recordes globais de temperatura de 1998, 2016 e 2024.











