A Finlândia segue consolidando um dos modelos de licença parental mais avançados do mundo. Pelas regras em vigor em 2026, pais e mães que tiverem filhos no país terão direito a cerca de 160 dias úteis de licença remunerada para cada responsável, ampliando o período de convivência familiar nos primeiros meses de vida do bebê.
Na prática, o sistema garante aproximadamente 14 meses de suporte à criança quando somados os períodos destinados aos dois progenitores. Parte dos dias pode ser transferida entre os parceiros, mas uma parcela significativa permanece individual e intransferível, justamente para incentivar a participação equilibrada de pais e mães na criação dos filhos.
A política ganhou força após a reforma implementada em agosto de 2022, considerada um marco na ampliação da licença parental no país nórdico. Desde então, houve crescimento acelerado da adesão masculina ao benefício.
Dados da agência de benefícios sociais Kela mostram que, entre janeiro e setembro de 2025, os pais responderam por mais de 22% de todos os dias de licença utilizados no país, avanço superior ao registrado nos anos anteriores.
Participação dos pais cresce após reforma
Segundo Anneli Miettinen, gerente de pesquisa da Kela, a nova legislação ajudou a mudar o comportamento das famílias finlandesas ao estabelecer uma divisão mais igualitária da licença parental.
A Finlândia já figurava entre os países com melhores políticas de licença-paternidade do mundo, ao lado de outros países nórdicos, como Suécia e Noruega. O objetivo das autoridades é fortalecer a presença dos pais nos primeiros anos de vida das crianças e reduzir a sobrecarga historicamente concentrada nas mães.
O modelo também busca ampliar a igualdade de gênero no mercado de trabalho e dentro das famílias. Em regiões como as Ilhas Åland, território autônomo finlandês, os pais já utilizam mais de um quarto de todos os dias de licença parental concedidos.
O tema ganhou ainda mais destaque no país após o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, homenagear pais reconhecidos pela contribuição na criação dos filhos durante a celebração nacional do Dia dos Pais. Pela primeira vez, homens receberam a Medalha da Rosa Branca da Finlândia em reconhecimento à paternidade ativa.
Brasil terá ampliação gradual da licença-paternidade
Enquanto a Finlândia amplia benefícios familiares, o Brasil também prepara mudanças na legislação trabalhista, embora em escala bem menor.
A Lei nº 15.371 prevê aumento gradual da licença-paternidade brasileira a partir de 2027. Atualmente, os trabalhadores continuam tendo direito a apenas cinco dias de afastamento remunerado após o nascimento do filho.
Pela nova regra, o prazo passará para 10 dias em 2027, 15 dias em 2028 e 20 dias a partir de 2029. A ampliação também valerá para adoção e guarda judicial para fins de adoção.
Já a licença-maternidade brasileira passou recentemente por atualização com a Lei 15.222/2025. A mudança permite ampliar o benefício quando a mãe ou o recém-nascido permanecer internado por mais de duas semanas em decorrência do parto. Nesses casos, o período poderá ser estendido em até 120 dias após a alta hospitalar.
Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta dificuldades na ampliação de benefícios corporativos ligados à parentalidade. Dados da Receita Federal mostram que o número de empresas cadastradas no Programa Empresa Cidadã caiu cerca de 71% entre 2024 e 2025, após auditorias que excluíram empresas com irregularidades cadastrais.




