A população de onças-pintadas no México apresentou crescimento nos últimos 15 anos e ultrapassou a marca de 5 mil exemplares, segundo novo censo realizado por pesquisadores locais. Apesar do avanço considerado histórico, o número ainda está muito abaixo do registrado no Brasil, que concentra cerca de 55 mil indivíduos da espécie, aproximadamente dez vezes mais.
O levantamento mexicano identificou 5.326 onças-pintadas em 2024, resultado 30% superior ao primeiro grande censo nacional realizado em 2010. Na época, cientistas estimavam encontrar cerca de mil animais, mas a pesquisa surpreendeu ao apontar 4.100 exemplares espalhados pelo país.
O estudo foi coordenado pelo pesquisador Gerardo Ceballos e reuniu mais de 50 instituições e lideranças comunitárias, que instalaram 920 armadilhas fotográficas em diferentes regiões mexicanas para monitorar a espécie.
Mesmo com o avanço mexicano, o Brasil segue como o maior território de preservação da onça-pintada, considerada o maior felino das Américas. Dados do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade apontam que o país abriga cerca de 55 mil animais.
A maior concentração está na Amazônia, com aproximadamente 40 mil exemplares, seguida pelo Pantanal, que reúne mais de 13 mil indivíduos. A espécie também aparece em biomas como Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga, embora em números menores.
Além de símbolo da biodiversidade brasileira, a onça-pintada desempenha papel fundamental no equilíbrio ecológico, atuando como predador de topo e ajudando no controle populacional de outras espécies.

Desmatamento e conflitos ameaçam a espécie
Apesar da grande população, especialistas alertam que a onça-pintada enfrenta forte pressão ambiental em diversas regiões brasileiras. O avanço do desmatamento, da agropecuária e da expansão urbana reduz áreas de habitat natural e fragmenta corredores ecológicos importantes para o deslocamento dos animais.
A situação é considerada mais crítica fora da Amazônia, especialmente na Mata Atlântica e em áreas do Cerrado. A perda de vegetação nativa diminui a disponibilidade de presas e força os felinos a se aproximarem de propriedades rurais.
Esse cenário aumenta os conflitos com pecuaristas. Há registros frequentes de ataques a rebanhos em regiões próximas a áreas de mata, situação que muitas vezes resulta no abate ilegal das onças como forma de retaliação.
Rodovias e caça ilegal ampliam pressão
Outro problema crescente envolve atropelamentos em rodovias que cortam áreas de preservação ambiental. Com a expansão da infraestrutura viária, felinos acabam expostos ao tráfego intenso durante deslocamentos entre fragmentos florestais.
A caça ilegal também segue sendo um fator de risco para a espécie, tanto pela perseguição direta quanto pela redução das presas naturais da onça, como capivaras, queixadas e veados.
Especialistas defendem medidas de conservação integradas, incluindo proteção de áreas naturais, implantação de passagens de fauna em estradas e adoção de técnicas de convivência entre produção rural e preservação ambiental.
Pesquisadores mexicanos classificaram o aumento da população como uma notícia animadora para a conservação da espécie nas Américas. Mesmo enfrentando perda de habitat e expansão agrícola, o país conseguiu ampliar o número de onças-pintadas em circulação.




