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Governo volta atrás e descontos do INSS podem continuar

Por Pedro Silvini
22/05/2025
Em Geral
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Sede do INSS

Sede da Previdência Social (Reprodução/Victor Soares/INSS)

O governo federal voltou atrás e agora avalia a possibilidade de manter os descontos em folha nos benefícios do INSS para o pagamento de mensalidades associativas a sindicatos e entidades de classe. A prática, autorizada por lei desde 1991, entrou em xeque após investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) revelarem um esquema de fraudes que atingiu milhões de aposentados e pensionistas.

“Estamos refletindo sobre os riscos e os mecanismos de controle para decidir se vale a pena manter esse modelo”, afirmou o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Segundo Messias, o esquema fraudulento se intensificou entre 2019 e 2022, quando uma suposta “engenharia criminosa” foi montada para associar segurados ao sistema sem autorização prévia. Somente em 2023, os descontos chegaram a R$ 2,8 bilhões, valor mais de seis vezes superior ao registrado em 2016. Contudo, nem o INSS sabe estimar quanto desse montante foi obtido de forma ilegal.

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Até esta semana, mais de 1,74 milhão de beneficiários solicitaram reembolso de descontos indevidos, conforme balanço oficial da CGU.

Cobrança existe desde 1994

A cobrança de mensalidade associativa diretamente do benefício começou em 1994, com uma entidade autorizada a receber os valores via INSS. Desde então, o número de associações credenciadas e os valores movimentados cresceram significativamente. Em 2022, foram R$ 706 milhões; em 2021, R$ 536 milhões; e em 2020, durante a pandemia, R$ 510 milhões.

A CGU alertou neste ano sobre a fragilidade dos mecanismos de controle adotados pelo INSS e recomendou que o órgão suspendesse a prática.

Enquanto o ministro da Previdência à época, Carlos Lupi, se posicionou contra os descontos, defendendo que associações devem negociar diretamente com os filiados, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, considera que o problema não é o modelo, mas a falta de verificação da autorização dos beneficiários.

No Congresso, a Câmara dos Deputados já aprovou regime de urgência para o PL 1846/25, que proíbe o desconto automático dessas mensalidades nos benefícios previdenciários. O projeto vai direto ao Plenário, sem passar pelas comissões, e deve ser votado na próxima semana.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que todas as propostas ligadas ao combate às fraudes no INSS serão unificadas. No momento, a votação aguarda a liberação da pauta, travada por outro projeto sobre reajuste de servidores públicos.

Cobrança direta como alternativa

O ministro Jorge Messias destacou que, com os meios de pagamento atuais, como Pix e débito automático, as entidades têm outras formas de cobrar seus associados. Segundo ele, a discussão precisa ser feita com base na realidade tecnológica e nos erros do passado:

“Estamos diante de uma autorização prevista há décadas, mas que nunca havia sido usada para fraudes nessa escala. É hora de refletir se o modelo ainda se sustenta”.

Ministro Jorge Messias

Enquanto o governo define sua posição final, o tema se consolida como ponto de tensão entre segurança jurídica, liberdade associativa e proteção do idoso contra fraudes sistemáticas.

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Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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