Uma das previsões mais importantes feitas pelo físico britânico Stephen Hawking há mais de cinco décadas acaba de receber sua confirmação experimental mais convincente. Pesquisadores da colaboração internacional LIGO-Virgo-KAGRA anunciaram que a análise de um evento registrado em janeiro de 2025 confirmou a chamada lei da área dos buracos negros, proposta por Hawking em 1971 e considerada um dos pilares da física teórica moderna.
O resultado foi obtido a partir da observação da fusão de dois buracos negros localizada a cerca de 1,3 bilhão de anos-luz da Terra, reforçando previsões da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein e ampliando o entendimento científico sobre alguns dos objetos mais extremos do Universo.
O fenômeno analisado recebeu a identificação GW250114 e foi detectado em 14 de janeiro de 2025 pelos observatórios do projeto LIGO.
Segundo os pesquisadores, o evento registrou a colisão de dois buracos negros que, ao se unirem, formaram um único objeto de maior massa. Durante esse processo, parte da energia foi liberada na forma de ondas gravitacionais, pequenas deformações no espaço-tempo previstas por Einstein há mais de um século.
A grande importância da descoberta está no fato de que os dados permitiram verificar, com alto grau de precisão, uma hipótese formulada por Hawking em 1971: a de que a área total do horizonte de eventos de um buraco negro jamais diminui.
Em outras palavras, mesmo quando dois buracos negros perdem energia durante uma colisão, a superfície do buraco negro resultante sempre apresenta área igual ou superior à soma das áreas dos dois objetos originais.

O que diz a teoria da área dos buracos negros
Os buracos negros são regiões do espaço onde a gravidade é tão intensa que nem mesmo a luz consegue escapar. Seu limite é conhecido como horizonte de eventos, uma espécie de fronteira que marca o ponto sem retorno para qualquer matéria ou radiação.
Na década de 1970, Hawking demonstrou matematicamente que, durante a fusão entre dois buracos negros, a área desse horizonte de eventos nunca poderia diminuir.
O comportamento ocorre devido à relação entre massa, rotação e geometria do horizonte. Embora parte da massa seja convertida em ondas gravitacionais durante a colisão, o objeto final mantém uma área total maior, obedecendo às previsões da relatividade geral.
Tecnologia permitiu testar teoria com precisão inédita
A confirmação só foi possível graças aos avanços alcançados na detecção de ondas gravitacionais desde a primeira observação desse tipo, realizada em 2015.
No evento de 2025, os cientistas conseguiram analisar detalhadamente a fase conhecida como “ringdown”, correspondente aos instantes finais após a fusão, quando o novo buraco negro emite ondas gravitacionais enquanto se estabiliza.
Os pesquisadores comparam esse processo ao som produzido por um sino após ser atingido. Assim como as características do toque revelam o formato e o material do sino, as frequências das ondas gravitacionais permitem reconstruir propriedades do buraco negro, como massa, rotação e tamanho do horizonte de eventos.
Com essas informações, foi possível calcular a área do objeto antes e depois da fusão e confirmar que ela aumentou exatamente como Hawking havia previsto.
Os cientistas destacam que o evento GW250114 representa um dos testes mais rigorosos já realizados da Teoria da Relatividade Geral em condições extremas.








