Uma tendência que ganhou espaço entre alguns homens da geração Z nas redes sociais está levando o conceito de preparação para um encontro a um caminho inusitado: não tomar banho, dispensar o desodorante e preservar o cheiro natural do corpo. Batizada de “pheromone-maxxing”, expressão que pode ser traduzida como “maximização dos feromônios”, a prática parte da ideia de que o suor masculino carregaria substâncias capazes de despertar atração em outras pessoas.
Em versões mais radicais da tendência, há quem use novamente roupas que já foram vestidas e acumularam suor. Também circulam relatos de comportamentos ainda mais extremos associados à tentativa de alterar o odor corporal. A lógica por trás do movimento é simples: quanto menos interferência houver sobre o cheiro produzido naturalmente pelo corpo, maior seria a possibilidade de despertar interesse.
O problema é que essa conclusão vai muito além do que a ciência conseguiu comprovar até agora.
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De onde surgiu a ideia
O “pheromone-maxxing” faz parte de uma cultura maior das redes sociais conhecida como looksmaxxing, que reúne estratégias voltadas a supostamente aprimorar a aparência e aumentar o poder de atração. O conceito pode envolver cuidados com pele e cabelo, mudanças no corpo, roupas e até comportamentos considerados mais eficientes para conquistar parceiros.
Nesse contexto, o odor corporal passou a ser tratado como mais um elemento a ser “otimizado”. Em vez de escolher um perfume ou reforçar os cuidados de higiene antes de um encontro, alguns usuários passaram a defender justamente o contrário: preservar o odor produzido pelo próprio organismo.
A popularização também está relacionada ao funcionamento das plataformas digitais. Segundo o material citado, conteúdos envolvendo suor e axilas passaram a ser utilizados como uma forma de produzir material de teor erótico sem necessariamente recorrer a imagens explícitas que poderiam ser barradas pelos algoritmos. A partir daí, o que começou como uma estratégia de conteúdo acabou sendo incorporado por usuários como uma suposta técnica de relacionamento.
Feromônios humanos ainda são uma incógnita
A principal fragilidade da teoria está justamente naquilo que sustenta a prática. Não existe, até o momento, um feromônio humano comprovado cientificamente que seja capaz de provocar atração sexual de maneira confiável.
Feromônios são sinais químicos capazes de desencadear determinadas respostas comportamentais ou fisiológicas em indivíduos da mesma espécie. O fenômeno é bem estabelecido em diversos animais, mas a situação é muito menos clara quando se trata de seres humanos.
Um dos compostos mais estudados nessa área é a androstenediona, um esteroide encontrado no suor masculino. Mesmo depois de décadas de pesquisas, as evidências não foram suficientes para classificá-lo definitivamente como um feromônio sexual humano.
Uma revisão científica publicada em 2025 na revista Physiology & Behavior analisou justamente as evidências relacionadas à substância e concluiu que a questão permanece inconclusiva.
Ou seja, a ideia de que um homem possa simplesmente deixar de tomar banho para concentrar uma espécie de “arma química” natural e se tornar mais atraente não encontra respaldo científico sólido.
Ficar sem banho antes do encontro funciona?
Não há evidências robustas de que deixar de tomar banho aumente a atração romântica ou sexual.
A teoria difundida pelo “pheromone-maxxing” depende de uma sequência de suposições: primeiro, seria necessário que o corpo produzisse um feromônio sexual relevante; depois, que o banho removesse essa substância; em seguida, que sua permanência aumentasse a atração e, por fim, que a outra pessoa respondesse positivamente ao odor.
Nenhuma dessas etapas foi comprovada como uma estratégia confiável para encontros amorosos.
Além disso, cheiro é uma questão subjetiva. Um odor considerado agradável por uma pessoa pode ser desagradável para outra. Existe também uma diferença importante entre odor corporal natural e o mau cheiro provocado pela decomposição do suor por bactérias presentes na pele.











