Um incêndio de grandes proporções destruiu 27 ônibus da frota da Viação Anchieta na tarde de domingo (7), no bairro Dom Cabral, na região Noroeste de Belo Horizonte. Apesar da gravidade da ocorrência, ninguém ficou ferido. Segundo a empresa, os prejuízos ultrapassam R$ 16 milhões, já que cada veículo queimado pode custar entre R$ 600 mil e R$ 900 mil.
As chamas atingiram a garagem da concessionária localizada na Praça Edgar da Mata Machado e mobilizaram uma grande operação do Corpo de Bombeiros. Ao todo, sete viaturas e mais de 20 militares participaram do combate ao fogo e trabalharam para impedir que as chamas se espalhassem para imóveis vizinhos e para um posto de combustíveis existente dentro do pátio.
Imagens registradas por moradores mostraram uma intensa coluna de fumaça preta e chamas altas que puderam ser vistas de diferentes pontos da capital mineira.
Na manhã desta segunda-feira (8), o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) informou que o sistema de transporte coletivo continuou funcionando normalmente, apesar da perda dos veículos.
Segundo a entidade, os consórcios mantêm ônibus reserva em todas as linhas justamente para situações emergenciais. O remanejamento da frota começou ainda no domingo e foi planejado para evitar impactos aos passageiros.
Além dos veículos reservas, o sistema também poderá contar com ônibus de outras empresas caso haja necessidade de reforço operacional nos próximos dias.
Os ônibus que não foram atingidos pelo incêndio deixaram a garagem nas primeiras horas da manhã e seguiram normalmente para as linhas de atendimento à população.
Causa do incêndio ainda será investigada
As primeiras informações apontam que o fogo pode ter começado em um lote vago próximo à garagem antes de se espalhar para a área onde estavam estacionados os ônibus e peças utilizadas pela empresa. As causas exatas, porém, ainda deverão ser investigadas pelas autoridades.
Na manhã seguinte ao incêndio, o cheiro de fumaça ainda era forte na região, embora as chamas já estivessem completamente controladas.
Especialistas apontam possível impacto na qualidade da frota
Além do prejuízo financeiro, especialistas avaliam que a destruição dos veículos pode trazer consequências para a qualidade do transporte coletivo da cidade. Muitos dos ônibus perdidos haviam sido incorporados à frota recentemente, entre 2024 e 2025.
Para pesquisadores da área de mobilidade urbana, a utilização prolongada dos veículos reservas pode elevar a idade média da frota em circulação, aumentando custos de manutenção e o risco de falhas mecânicas durante a operação.
Outro fator apontado é que o consórcio responsável pela operação possui uma frota relativamente menor em comparação a outros grupos que atuam na capital mineira. Dessa forma, a perda de 27 ônibus representa um impacto proporcionalmente mais significativo.
Até o momento, não há definição sobre a compra de novos veículos para substituir os ônibus destruídos. O Setra-BH informou ainda que o prejuízo causado pelo incêndio não será incorporado aos custos do sistema e, portanto, não deverá influenciar eventuais reajustes tarifários ou subsídios do transporte coletivo.




