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INSS vai realizar malha fina e cancelar benefícios automaticamente, após decisão do STJ

Por Pedro Silvini
23/06/2026
Em Geral
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Aposentadoria RG

Foto: (Reprodução/Agência Brasil)

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) poderá revisar e até cancelar benefícios por incapacidade concedidos pela Justiça sem necessidade de nova ação judicial. A autorização foi consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Tema 1.157, concluído em 7 de maio, e já começa a impactar a forma como a autarquia conduz a chamada “malha fina” previdenciária.

A decisão, tomada pela 1ª Seção do STJ de forma unânime, estabelece que o INSS pode realizar revisões administrativas em benefícios como auxílio-doença e aposentadoria por invalidez, mesmo quando eles tenham sido concedidos por decisão judicial definitiva, ou seja, com trânsito em julgado.

O julgamento definiu que não é necessária uma ação revisional para que o INSS possa cessar o pagamento de benefícios por incapacidade quando houver indícios de recuperação da capacidade laboral do segurado.

Segundo o entendimento do tribunal, a autarquia possui competência legal para convocar segurados a perícias periódicas, com o objetivo de verificar se a condição que motivou a concessão do benefício ainda persiste.

Caso a perícia constate a recuperação da capacidade de trabalho, o benefício pode ser encerrado na esfera administrativa.

Processo administrativo passa a ser autônomo

Um dos pontos centrais da decisão é o reconhecimento de que o processo administrativo de revisão é independente da via judicial.

Na prática, isso significa que o INSS pode agir diretamente, sem necessidade de recorrer ao Judiciário para reavaliar benefícios já concedidos por decisão judicial definitiva.

No entanto, o tribunal estabeleceu regras obrigatórias para a validade do procedimento, como a realização de nova perícia médica e a garantia do contraditório e da ampla defesa ao segurado.

Debate envolve coisa julgada e poder de revisão

O julgamento traz uma discussão importante no Direito Previdenciário: o equilíbrio entre a coisa julgada, que garante segurança jurídica ao segurado, e o poder-dever da Administração Pública de revisar benefícios de natureza continuada.

De um lado, está o direito do beneficiário que teve sua condição reconhecida judicialmente. De outro, a obrigação do Estado de verificar se as condições que justificaram o benefício continuam existindo.

Ao decidir o Tema 1.157, o STJ buscou justamente equilibrar esses dois princípios.

Impactos na prática para segurados do INSS

Com a decisão, o recebimento de benefícios por incapacidade deixa de ter caráter definitivo mesmo quando concedido pela Justiça.

Na prática, o INSS passa a ter respaldo jurídico para:

  • Convocar segurados para novas perícias médicas;
  • Revisar benefícios concedidos judicialmente;
  • Cancelar pagamentos em caso de recuperação da capacidade laboral.

Apesar disso, os segurados continuam protegidos pelo direito ao devido processo legal e podem contestar eventuais decisões de cessação do benefício.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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