Entre as cidades de Santos e São Vicente, no litoral de São Paulo, está uma das maiores obras de infraestrutura hídrica do país. O Reservatório-Túnel Santa Tereza/Voturuá é considerado o maior reservatório de água tratada em formato de túnel da América Latina, com capacidade para armazenar 110 milhões de litros de água.
Escavada no interior dos morros Santa Terezinha e Voturuá, a estrutura foi construída para garantir o abastecimento de parte da Baixada Santista e, até hoje, representa um dos principais sistemas de armazenamento de água da região.
A obra começou em 1979 e foi concluída em 1981, sendo inaugurada oficialmente em 16 de novembro daquele ano. A escavação ocorreu simultaneamente pelos lados de Santos e São Vicente, aproveitando a resistência da formação rochosa existente no local.
Com mais de um quilômetro de extensão, o reservatório é dividido em duas grandes câmaras escavadas em rocha, cada uma com aproximadamente 13 metros de altura e 15 metros de largura. A capacidade total de armazenamento equivale a cerca de um terço de toda a água tratada disponível para a região.

A estrutura foi construída a cerca de 42 metros acima do nível do mar, permitindo que a distribuição da água ocorra por gravidade, reduzindo o consumo de energia elétrica com bombeamento.
Atualmente, o sistema abastece moradores de Santos, São Vicente, Guarujá e Praia Grande. Toda a água armazenada já passou por tratamento e segue diretamente para as tubulações de distribuição.
A operação é monitorada remotamente pelo Centro de Controle Operacional (CCO) da Sabesp, localizado em Santos, embora equipes possam ser deslocadas ao local sempre que necessário.
Engenharia aproveitou rocha de 600 milhões de anos
A escolha dos morros para receber o reservatório ocorreu em meados da década de 1970, quando engenheiros da Sabesp buscavam alternativas para ampliar o abastecimento diante do crescimento populacional e do aumento do turismo na Baixada Santista.
Segundo a Fundação Arquivo e Memória de Santos, a escavação foi realizada em rochas de granito gnaisse com aproximadamente 600 milhões de anos — a mesma formação geológica encontrada no Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. A elevada resistência da rocha permitiu que grande parte da estrutura natural fosse aproveitada durante a construção.
Dentro do reservatório, as paredes ainda exibem marcas escuras que indicam o nível normalmente alcançado pela água, cerca de nove metros de altura.
Em um dos trechos também permanecem blocos de rocha que se desprenderam entre 1989 e 1990. Segundo informações da Sabesp, ninguém ficou ferido no episódio.
Visitas monitoradas são realizadas durante manutenções
Embora permaneça fechado ao público na maior parte do tempo, o reservatório pode ser visitado em períodos de inspeção e limpeza.
Nessas ocasiões, a Sabesp organiza visitas monitoradas com duração aproximada de 40 minutos, percorrendo cerca de 400 metros do túnel escavado no interior dos morros, permitindo que visitantes conheçam de perto uma das maiores obras de engenharia de abastecimento de água da América Latina.




