Você provavelmente já viu em algum lugar a frase “a floresta amazônica é o pulmão do mundo”, como uma forma de descrever a importância desse bioma para o equilíbrio do resto do planeta. Apesar de ser um slogan bem fácil de lembrar, essa frase não reflete a verdade de forma lá muito precisa. O climatologista Carlos Nobre aponta que a Amazônia não altera muito o balanço de oxigênio do planeta.
“Ela, por exemplo, retira, anualmente, até dois bilhões de toneladas de gás carbônico da atmosfera, através da fotossíntese, e ela retorna para atmosfera cerca de 1,5 bilhões de toneladas de oxigênio. Só que 1,5 bilhões de toneladas de oxigênio é uma fração muito pequenininha, 0,001% do oxigênio do planeta”, explicou o especialista ao Jornal Nacional.
Paulo Sérgio Salomon, oceanólogo e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, explicou ao jornal da Globo que a maior parte do oxigênio presente na nossa atmosfera se acumulou em bilhões de anos. Ele também aponta que, tão importante quanto as florestas ao redor do mundo, é o fitoplâncton, algas microscópicas que produzem oxigênio nos oceanos. “O avanço no conhecimento tem mostrado que essa função de produtor de oxigênio é compartilhada em aproximadamente 50% com o fitoplâncton”, apontou Salomon.
Floresta amazônica pode não ser o pulmão do mundo, mas isso não tira a sua importância
Desmistificar essa frase clássica não significa tirar a importância desse bioma. A Amazônia é a região com maior biodiversidade do planeta, além de armazenar de 100 bilhões a 120 bilhões de toneladas de carbono na sua biomassa. Se esse carbono fosse para a atmosfera, isso praticamente aniquilaria qualquer possibilidade de atingirmos os objetivos do Acordo de Paris, explica Nobre.




