O governo federal aprovou uma mudança temporária na composição da gasolina vendida no Brasil nesta terça-feira (14) para tentar reduzir os efeitos da alta do petróleo no mercado internacional sobre o preço dos combustíveis. A decisão aumenta de 30% para 32% a proporção obrigatória de etanol anidro na gasolina comercializada no país, medida que, segundo estimativas oficiais, poderá evitar a importação de centenas de milhões de litros de gasolina pura e favorecer estados onde o etanol já apresenta maior competitividade.
Levantamento mais recente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indica que o etanol já é economicamente mais vantajoso para os consumidores em 11 estados: Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins. No Amapá, a pesquisa não identificou oferta suficiente do biocombustível para comparação.
A alteração foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em meio ao cenário de instabilidade internacional provocado pelo conflito no Oriente Médio. Desde o início da guerra envolvendo o Irã, o preço do petróleo acumula alta superior a 20% no mercado global, elevando os custos dos combustíveis.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, o aumento da participação do etanol permitirá reduzir a dependência da gasolina derivada do petróleo. A estimativa é de que, durante o período de vigência da medida, o Brasil deixe de importar pelo menos 450 milhões de litros de gasolina pura, gerando economia superior a US$ 223 milhões. Caso a política seja mantida por um ano, o volume evitado poderá chegar a 900 milhões de litros.
Na prática, cada litro de gasolina vendido nos postos passará a conter cerca de 2,86% menos gasolina fóssil na composição.
Estudos apontam segurança para os veículos
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a adoção da chamada mistura E32 foi baseada em estudos técnicos realizados durante a implementação da Lei do Combustível do Futuro.
Os testes, segundo o governo, indicaram que o aumento da concentração de etanol não provoca impactos relevantes no funcionamento dos veículos, incluindo modelos equipados com motores que não são flex.
A pasta afirma ainda que a decisão considera o atual cenário de volatilidade no abastecimento global de petróleo e combustíveis.
Produção de etanol deve crescer
O governo também aposta no aumento da oferta nacional de etanol para sustentar a nova mistura. A expectativa é de uma safra recorde em 2026, impulsionada tanto pelo maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção do biocombustível quanto pela expansão do etanol produzido a partir do milho.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) calcula que a ampliação da mistura elevará a demanda por aproximadamente 1 bilhão de litros de etanol anidro por ano. Atualmente, o consumo gira em torno de 12,5 bilhões de litros anuais.
Segundo o setor, a capacidade produtiva já é suficiente para atender esse crescimento. Apenas nesta safra, a produção nacional poderá aumentar em cerca de 4 bilhões de litros com a entrada de novas usinas de etanol de milho e a ampliação da capacidade das unidades sucroenergéticas.








