De acordo com dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 1,7 milhão de pessoas trabalham a partir de plataformas e aplicativos de serviços, com algumas das mais populares sendo as plataformas de transporte, como a Uber e a 99. Segundo uma análise do Centro de Pesquisas Judiciárias, Estatística e Ciência de Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST), esses profissionais de transporte gastam mais de R$ 5,5 mil por mês para conseguirem trabalhar.
E esse valor é para os motoristas que têm um carro próprio. Para quem depende de veículos alugados, esses gastos podem passar dos R$ 5,7 mil.
A análise do TST considera despesas indispensáveis para essa atividade, como combustível, manutenção dos veículos, seguros, tributos, pacotes de internet móvel, multas e alimentação. Sobre a jornada analisada, os cálculos consideraram os gastos de um motorista que atua 22 dias de trabalho por mês, com oito horas por dia e a uma velocidade média efetiva de 25 km/h.
Quanto custa trabalhar como Uber e em outros aplicativos de mobilidade?
| Indicador | Carro próprio | Carro alugado |
| Custo total por mês | R$ 5.566 | R$ 5.706 |
| Custo por km | R$ 1,10 | R$ 1,13 |
| Custo por hora trabalhada | R$ 30,32 | R$ 31,08 |
| Custo por dia trabalhado | R$ 253 | R$ 259,36 |
O presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, argumenta que a liberdade empreendedora prometida por plataformas como essa é, na verdade, um disfarce para a violação da dignidade do trabalhador. “O trabalho em plataformas digitais é marcado por profunda precarização, jornadas extenuantes, baixas remunerações e alto controle por algoritmos, sem o reconhecimento de direitos trabalhistas e da proteção da legislação social”, ressalta o ministro.




