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Nova proposta pode mais que dobrar contribuição mensal do MEI e afetar 16,6 milhões de brasileiros

Por Pedro Silvini
23/08/2026
Em Geral
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MEI

Portal MEI (Reprodução/Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Uma proposta de revisão das regras previdenciárias do microempreendedor individual (MEI) pode elevar significativamente a contribuição mensal paga por essa categoria. Atualmente, o MEI recolhe, em regra, 5% do salário mínimo para a Previdência Social, mas uma das sugestões em debate prevê que essa alíquota chegue a 11%, mais que o dobro do percentual atual. A mudança poderia atingir milhões de brasileiros registrados no regime.

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A discussão foi levantada pelo especialista em Previdência Social Rogério Nagamine em estudo publicado pelo Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP). Segundo a análise, o modelo atual do MEI representa um custo elevado para os cofres públicos e pode gerar um impacto acumulado de centenas de bilhões de reais ao longo de décadas.

A recomendação é que as regras sejam revistas para reduzir os benefícios associados à contribuição reduzida e buscar maior sustentabilidade financeira da Previdência Social.

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O debate não é recente. Um relatório publicado em 2022 pelo Conselho de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas (CMAP), colegiado interministerial coordenado pelo Ministério do Planejamento, também analisou os efeitos fiscais relacionados ao MEI.

A discussão ocorre em um contexto no qual o regime permite que trabalhadores formalizem pequenos negócios com uma contribuição previdenciária inferior àquela aplicada a outras categorias.

A eventual elevação de 5% para 11% representaria uma mudança significativa no valor desembolsado mensalmente pelo microempreendedor. O impacto final, porém, dependeria da forma como uma eventual alteração fosse aprovada e regulamentada.

Teto do MEI também é alvo de discussão

Enquanto a contribuição previdenciária está no centro do debate, entidades empresariais defendem justamente uma ampliação dos limites de faturamento para permitir que pequenos negócios continuem no regime simplificado.

Atualmente, o MEI pode faturar até R$ 81 mil por ano. O limite está sem atualização desde 2018.

No caso do Simples Nacional, o teto anual permanece em R$ 4,8 milhões. Para o SIMPI Nacional, a falta de correção acumulou distorções diante da inflação e do aumento dos custos de operação, dificultando a expansão de empresas.

A entidade também chama atenção para os sublimites estaduais do ICMS. Em São Paulo, por exemplo, o limite para recolhimento do imposto dentro do Simples é de R$ 3,6 milhões, abaixo do teto nacional.

Quando uma empresa ultrapassa os limites aplicáveis, pode ser obrigada a migrar para outro regime tributário, como o Lucro Presumido, aumentando a carga sobre o negócio.

Projeto propõe aumentar limite de faturamento

No Congresso Nacional, o PLP 108/2021 trata justamente da atualização dos limites de faturamento. O texto já foi aprovado pelo Senado e aguarda análise da Câmara dos Deputados, onde é relatado pelo deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC).

A proposta prevê mudanças nos limites para pequenos negócios e também amplia o teto de faturamento do MEI. Nas informações apresentadas para o projeto, aparecem valores diferentes para a atualização: uma versão prevê o limite de R$ 130 mil, enquanto outra referência do texto aponta R$ 144.913.

O projeto também prevê que o microempreendedor individual possa contratar até dois empregados, em vez de apenas um, como ocorre atualmente.

O Ministério da Fazenda estima que a ampliação do limite poderá representar uma renúncia fiscal de cerca de R$ 50 bilhões por ano. Mesmo diante desse impacto, a proposta conta com apoio do governo federal.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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