Motoristas com 75 anos ou mais e histórico de infrações de trânsito deverão enfrentar um teste prático mais rigoroso na renovação da carteira de habilitação no Japão. A mudança foi anunciada pela Agência Nacional de Polícia (NPA) nesta quinta-feira (3) e faz parte de uma estratégia para tentar reduzir os acidentes envolvendo condutores idosos no país.
A previsão é que as novas exigências sejam implementadas no próximo ano. A medida atende a recomendações de um painel de especialistas criado para avaliar a efetividade do atual exame obrigatório para motoristas idosos.
O endurecimento das regras ocorre em um cenário de aumento dos acidentes fatais provocados por motoristas com mais de 75 anos. Segundo dados da NPA, cerca de 18% dos acidentes de trânsito com mortes registrados no ano passado foram causados por pessoas nessa faixa etária.
O problema ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento da população japonesa. Enquanto o número geral de acidentes vem diminuindo, as ocorrências fatais associadas aos condutores mais velhos seguem em alta.
Um dos principais motivos apontados pelas autoridades são os casos em que o motorista pressiona o acelerador por engano quando deveria acionar o freio.
Teste já é obrigatório desde 2022
Atualmente, motoristas com 75 anos ou mais que tenham cometido determinadas infrações nos três anos anteriores à renovação da habilitação já precisam realizar um teste de habilidade ao volante.
Entre as infrações consideradas estão, por exemplo, desrespeitar sinais de trânsito e exceder o limite de velocidade.
O exame atual avalia cinco manobras, incluindo a capacidade de realizar paradas completas e fazer conversões para a direita ou para a esquerda. A intenção é verificar se o condutor consegue controlar adequadamente o veículo e respeitar sinais e semáforos.
Em 2025, 156.513 pessoas realizaram esse tipo de avaliação entre os cerca de 8,35 milhões de japoneses com 75 anos ou mais que possuem carteira de habilitação.
O problema é que os dados analisados pelas autoridades mostraram que o teste não eliminou a diferença de risco entre os motoristas.
Nova manobra será incluída na avaliação
Com a mudança planejada, os condutores que se enquadrarem nos critérios terão de realizar uma etapa adicional chamada de “mudança de direção”.
A manobra foi pensada para verificar com maior precisão a capacidade do motorista de utilizar os pedais de acelerador e freio, além de controlar o volante durante movimentos de ré e avanço.
O procedimento exigirá que o condutor dê marcha à ré enquanto esterça o volante, pare o veículo e, em seguida, vire a direção para o lado oposto para voltar a avançar.
A pontuação também deverá ficar mais rigorosa. O teste utiliza um sistema de descontos a partir de uma nota máxima de 100 pontos, e atualmente é necessário alcançar pelo menos 70 pontos para ser aprovado.
Motoristas com infrações apresentam risco maior
A decisão foi tomada depois que a NPA constatou que os condutores com histórico de infrações continuam envolvidos em acidentes em uma proporção significativamente maior mesmo após serem aprovados no exame criado em 2022.
Segundo os dados da agência, motoristas com mais de 75 anos que possuíam registros anteriores de infrações ainda provocam mais que o dobro de acidentes em comparação com condutores da mesma faixa etária sem esse histórico, mesmo depois de passarem pelo teste obrigatório.
Para o painel de especialistas, os resultados indicam que os critérios atuais não são suficientes para identificar ou reduzir determinados riscos associados à condução em idade avançada.
A nova avaliação, portanto, deverá concentrar parte da atenção justamente no controle dos pedais e na capacidade de realizar movimentos precisos, considerados pontos importantes para evitar acidentes causados pela troca involuntária entre acelerador e freio.











