Um possível surto de hantavírus registrado em um navio de cruzeiro no Oceano Atlântico deixou três mortos e colocou autoridades de saúde em alerta. O caso é acompanhado pela Organização Mundial da Saúde, que confirmou ao menos duas infecções e investiga outros cinco casos suspeitos entre passageiros e tripulantes.
A embarcação, com cerca de 150 pessoas a bordo, permanece isolada no mar enquanto equipes médicas organizam a retirada de pacientes em estado grave e realizam exames para identificar a origem da infecção.
De acordo com a OMS, os primeiros sintomas surgiram entre os dias 6 e 28 de abril e evoluíram rapidamente em alguns pacientes. Entre os principais sinais estão febre, problemas gastrointestinais e agravamento para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.
Entre os casos mais graves está um homem britânico de 69 anos, internado em estado crítico em uma unidade de terapia intensiva em Joanesburgo, na África do Sul. Outros pacientes apresentam sintomas leves, mas seguem sob monitoramento.
Os três óbitos confirmados incluem um casal europeu e uma passageira que teria sido diagnosticada após desembarcar durante a viagem.
O hantavírus é uma doença rara, geralmente transmitida pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. No entanto, especialistas investigam a possibilidade de transmissão entre humanos neste caso específico, algo considerado incomum, mas já registrado anteriormente em variantes como o vírus Andes.
A suspeita de transmissão direta entre pessoas elevou o nível de atenção das autoridades sanitárias, que intensificaram protocolos de isolamento e rastreamento de contatos.
Navio isolado e operação internacional em andamento
O cruzeiro segue parado próximo à costa da África Ocidental, após ter o pedido de atracação negado por autoridades locais. A operação de resposta envolve governos e equipes médicas internacionais, incluindo evacuação aérea de pacientes e envio de especialistas para avaliação a bordo.
As autoridades também iniciaram o rastreamento de passageiros que já deixaram o navio durante a rota, que passou por regiões remotas, como ilhas no Atlântico e áreas próximas à Antártida.
Ainda não está claro onde ocorreu a infecção inicial, e investigações consideram tanto o contato com ambientes naturais quanto possíveis interações durante a viagem.
Risco global é considerado baixo, mas monitoramento continua
Apesar da gravidade dos casos, a OMS avalia que o risco para a população global permanece baixo neste momento. Ainda assim, o episódio é tratado com cautela por se tratar de um cenário incomum, especialmente por ocorrer em um ambiente fechado como um navio.
O órgão internacional segue acompanhando a evolução dos casos e deve atualizar a avaliação conforme novos dados forem confirmados.




