Professores da rede municipal de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, decidiram paralisar as atividades escolares no próximo dia 13 de maio após rejeitarem a proposta de reajuste salarial apresentada pela prefeitura. A decisão foi tomada em assembleia geral realizada na noite de segunda-feira (4), em meio ao aumento das mobilizações da categoria em diferentes cidades do estado.
A proposta do governo municipal previa reajuste de 3,77%, com pagamento parcelado, 1,89% em abril e 1,88% em outubro, além de diferenças retroativas quitadas apenas em dezembro. O índice foi considerado insuficiente pelo sindicato da categoria, que aprovou uma contraproposta de 7,1%, alinhada ao reajuste do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), além da aplicação do mesmo percentual em benefícios como alimentação e plano de saúde.
A paralisação ocorre em um contexto de tensão entre servidores e administrações municipais, com reivindicações centradas na recomposição salarial e valorização profissional. Segundo representantes da categoria, a proposta apresentada não contempla demandas consideradas essenciais e reflete uma postura rígida nas negociações.
O movimento em São Leopoldo acompanha uma onda de mobilizações na região metropolitana de Porto Alegre. Professores de Canoas estão em greve desde abril, a primeira em mais de três décadas, enquanto trabalhadores da educação de Cachoeirinha também iniciaram paralisação. As ações têm em comum críticas ao que os profissionais classificam como defasagem salarial e perda de direitos.
Panorama dos docentes no Brasil
A mobilização ocorre em um cenário mais amplo de desafios enfrentados pela profissão docente no país. Dados recentes indicam um quadro de desvalorização e evasão significativa na carreira. Levantamentos com base em informações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontam que cerca de 41% dos professores deixaram a profissão nos últimos cinco anos.
O problema não se limita à permanência. Há também dificuldades na reposição de profissionais. Projeções indicam que o Brasil pode enfrentar um déficit de até 235 mil professores da educação básica até 2040, reflexo da queda no interesse por cursos de licenciatura e das condições de trabalho consideradas pouco atrativas.
Além disso, parte dos aprovados em concursos públicos sequer chega a assumir o cargo, enquanto outros pedem desligamento nos primeiros anos de atuação, frequentemente por motivos relacionados à sobrecarga, baixos salários e problemas de saúde.




