A ideia de tratar problemas de saúde mental com choques não é exatamente uma novidade (alô, lobotomias!), mas cientistas da Coreia do Sul podem ter encontrado uma forma mais moderna para tratar a depressão usando sinais elétricos. E esses sinais seriam bem leves, então não seria como levar choques na era pré-reforma psiquiátrica.
Cientistas testaram lentes de contato com “minichoques” para tratar depressão
Como explica a revista Galileu, pesquisadores da Universidade Yonsei, na Coreia do Sul, realizaram um estudo com camundongos usando lentes de contato que emitem sinais elétricos muito leves pela retina. Esses “minichoques” estimulam regiões cerebrais associadas à depressão, produzindo um efeito semelhante ao da fluoxetina, antidepressivo muito usado no mundo todo. Em comunicado, Jang-Ung Park, pesquisador da Universidade Yonsei e autor sênior do estudo, explicou que, como o olho é anatomicamente perto do cérebro, eles pensaram que a lente poderia ser “uma porta de entrada suave e não invasiva para os circuitos cerebrais que controlam o humor”.
Publicado na revista Cell Reports Physical Science, o estudo descreve os testes conduzidos em camundongos. Os animais estavam passando por uma “depressão induzida” e os pesquisadores observaram sinais comportamentais ligados à melhora da condição depois de três semanas de tratamento de 30 minutos por dia com as lentes. Transparentes e flexíveis, essas lentes são equipadas com eletrodos que transmitem pequenos sinais elétricos ao sistema visual.
Os camundongos que passaram pelo processo tiveram uma redução significativa nos níveis de moléculas inflamatórias no cérebro. Eles tiveram uma redução de 48% da corticosterona (hormônio do estresse em roedores) e um aumento de 47% na serotonina em comparação aos camundongos deprimidos que não receberam o tratamento.
“Acreditamos que essa abordagem sem medicamentos tem um enorme potencial para transformar a maneira como a depressão e outras condições cerebrais são tratadas, incluindo ansiedade, dependência química e declínio cognitivo”, destacou Jang-Ung Park, segundo a Galileu. Porém, como os pesquisadores ressaltam, o dispositivo ainda precisa passar por uma série de testes clínicos rigorosos em animais maiores e, posteriormente, em humanos.




