Na temporada de campo de 2026, arqueólogos do Instituto de Arqueologia da Academia Russa de Ciências descobriram uma necrópole com 45 túmulos junto ao Cabo Fuglehuken, no arquipélago de Svalbard, em pleno Ártico. Os sepultamentos, revestidos de pedra, estão localizados em terrenos elevados e nunca haviam sido catalogados nos registros arqueológicos da região.
A descoberta integra a Expedição Arqueológica de Spitsbergen, que mapeou grandes extensões do oeste da ilha e alcançou a ponta norte de Prins Karls Forland. Porque a legislação norueguesa impede escavações e remoção de artefatos, a equipe empregou apenas técnicas não invasivas, monitoramento de campo e documentação digital em 3D dos achados.
Sepulturas revelam antigas práticas funerárias
Os túmulos identificados apresentam características que desafiam o conhecimento até então estabelecido sobre as tradições funerárias conhecidas dos Pomor, antigos povos navegadores que ocuparam o Ártico. Na porção sul do cemitério, porém, os pesquisadores localizaram restos de uma cruz de madeira, elemento típico das sepulturas Pomor e que pode indicar ligação com essas comunidades históricas.
A identidade cultural e histórica exata das pessoas enterradas no local ainda permanece sem definição. O achado abre perspectivas para reinterpretar quais tradições funerárias vigoravam em Svalbard em períodos anteriores ao registro histórico consolidado.
Além dos túmulos, a expedição documentou fragmentos de quatro quilhas de navios históricos e estruturas de madeira unidas com cavilhas, dispersos por Prins Karls Forland e pela costa oeste de Spitsbergen.
Vestígios ancestrais desaparecem sob o gelo
Na Península de Sarsa, a equipe identificou uma seção rara de embarcação formada por duas tábuas unidas com vime, situada no interior além do cume costeiro. O mesmo trabalho levou os pesquisadores de volta ao assentamento Pomor e necrópole de Ebeltofthamna, na costa norte de Krossfjorden, um complexo que reúne três núcleos residenciais e seus respectivos cemitérios associados.
Naquele local, objetos expostos pelo recuo da encosta costeira incluem uma cruz peitoral em formato de folha. Cachimbos de argila branca holandeses, cerâmica dos séculos XVII e XVIII, calçados de couro e peças de ferro.
Sem poder remover os materiais, os arqueólogos geraram modelos tridimensionais in loco que indicam a fundação de Ebeltofthamna no final do século XVII. Com ocupação intermitente ao longo do século XVIII e primeira metade do XIX.
A erosão costeira e o degelo do permafrost ameaçam rapidamente esses sítios. Levantamentos de 2025 já documentavam deterioração significativa; o retorno em 2026 confirmou a continuidade acelerada da destruição. Os pesquisadores alertam que, mantida a intensificação dos processos associados ao aquecimento global, o sítio arqueológico poderá desaparecer completamente nas próximas décadas, levando consigo evidências insubstituíveis da história humana no Ártico.











