O preço do feijão-carioca voltou a subir no fim de agosto após um período de desvalorização provocado principalmente pelo avanço da terceira safra e pelo aumento da oferta. O movimento já aparece nas regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e pode exigir atenção dos consumidores diante da possibilidade de reflexos nos valores praticados no varejo.
Na sexta-feira (28), o indicador Cepea/CNA registrou R$ 298,80 pela saca de 60 quilos de feijão-carioca de qualidade superior no leste de Goiás. O valor representa uma valorização de 8,66% desde o início de agosto.
Apesar da reação, o mercado terminou o mês com negociações em ritmo lento. De um lado, compradores demonstraram resistência aos preços mais elevados. De outro, produtores reduziram o volume colocado à venda depois que as cotações atingiram níveis considerados pouco atrativos.
Terceira safra aumenta oferta e pressiona preços
O avanço da colheita da terceira safra elevou a disponibilidade de feijão-carioca durante agosto e manteve a pressão sobre as cotações pelo terceiro mês consecutivo, segundo o Cepea.
A maior oferta normalmente aumenta o poder de negociação dos compradores e dificulta a sustentação dos preços. No entanto, a própria queda das cotações levou produtores a restringirem as vendas, diminuindo a quantidade disponível no mercado à vista.
Esse movimento ajudou a interromper parcialmente a trajetória de baixa e permitiu uma recuperação dos preços na segunda metade do mês. A reação, contudo, não foi suficiente para eliminar a cautela entre os agentes envolvidos nas negociações.
O cenário terminou marcado por um equilíbrio delicado: produtores buscaram valores melhores e evitaram vender grandes volumes nos menores patamares, enquanto compradores permaneceram seletivos e pouco dispostos a aceitar novas altas.
Compradores seguram negociações
A resistência dos compradores foi um dos fatores que impediram uma valorização mais intensa do feijão-carioca no encerramento de agosto.
Mesmo diante da menor oferta disponibilizada pelos produtores, a demanda não acompanhou integralmente os preços pedidos. Com isso, o volume de negócios permaneceu limitado e o mercado seguiu em compasso de espera.
A dinâmica mostra como os preços do alimento podem variar de acordo com a combinação entre disponibilidade, comportamento dos produtores e disposição dos compradores. No caso do carioca, a chegada da terceira safra aumentou a oferta, mas a reação dos vendedores reduziu parte dessa pressão.
Feijão-preto segue trajetória diferente
O comportamento do feijão-preto foi diferente. As cotações permaneceram relativamente estáveis nas regiões monitoradas pelo Cepea, sustentadas principalmente pela menor disponibilidade do produto durante a entressafra.
A procura por grãos de qualidade superior também ajudou a dar sustentação aos preços. Com uma oferta mais limitada, a pressão vendedora diminuiu e contribuiu para manter o mercado mais equilibrado, apesar da demanda seletiva.
Assim, enquanto o carioca sofreu inicialmente com o aumento da oferta provocado pela terceira safra e somente depois apresentou recuperação, o feijão-preto encontrou suporte justamente na restrição da disponibilidade.











