Tomar café diariamente pode estar associado a uma melhor saúde do fígado. Um estudo publicado no início de julho na revista científica Clinical Gastroenterology and Hepatology concluiu que o consumo moderado da bebida está relacionado a um menor risco de desenvolver doenças hepáticas graves, incluindo cirrose e câncer de fígado.
A pesquisa acompanhou 354.957 pessoas durante mais de dez anos. Nenhum dos participantes apresentava cirrose ou carcinoma hepatocelular, o tipo mais comum de câncer de fígado, no início do acompanhamento. Ao longo do estudo, os pesquisadores avaliaram a quantidade de café consumida, o tipo da bebida (com ou sem cafeína) e a utilização de aditivos, como açúcar e adoçantes.
Os resultados mostraram que mesmo um consumo relativamente baixo esteve associado a benefícios para o fígado. Em comparação com pessoas que não bebiam café, aquelas que consumiam entre uma e duas xícaras por dia apresentaram:
- 20% menor risco de desenvolver cirrose;
- 24% menor risco de câncer de fígado;
- 31% menor probabilidade de morte relacionada a doenças hepáticas.
Os pesquisadores observaram que a proteção aumentava conforme o consumo da bebida, com os efeitos mais consistentes entre quem tomava de três a quatro xícaras por dia.
Já os participantes que consumiam cinco ou mais xícaras diariamente apresentaram redução de 32% no risco de cirrose, 47% no risco de câncer de fígado e 42% na probabilidade de morte por doenças hepáticas.
Apesar desses resultados, os autores ressaltam que isso não significa que as pessoas devam aumentar o consumo para esses níveis.
Exames apontaram melhor condição do fígado
Além da análise clínica, parte dos participantes realizou exames de ressonância magnética.
Os pesquisadores verificaram que consumidores de café apresentavam menores níveis de gordura hepática, ferro acumulado, fibrose e inflamação no fígado. Exames laboratoriais também mostraram concentrações mais elevadas de proteínas associadas ao bom funcionamento do órgão e menores níveis de marcadores relacionados à inflamação e ao processo de cicatrização hepática.
Outro dado importante é que benefícios semelhantes foram observados tanto entre consumidores de café com cafeína quanto de café descafeinado. Segundo os pesquisadores, isso indica que outros compostos naturais presentes na bebida, e não apenas a cafeína, podem contribuir para os efeitos protetores.
Estudo não comprova relação de causa e efeito
Os autores destacam, porém, que a pesquisa é observacional e, portanto, não comprova que o café seja responsável por prevenir doenças hepáticas.
Segundo os pesquisadores, os resultados apenas demonstram uma associação estatística entre o consumo da bebida e um menor risco dessas enfermidades.
Além disso, especialistas ressaltam que o café não substitui hábitos comprovadamente importantes para a saúde do fígado, como manter peso adequado, limitar o consumo de bebidas alcoólicas, praticar atividade física regularmente e controlar fatores como diabetes, colesterol e pressão arterial.
Também alertam que pessoas com hipertensão arterial não controlada, determinados tipos de arritmias, ansiedade intensa, insônia ou outras condições que exigem restrição de cafeína devem procurar orientação médica antes de aumentar o consumo da bebida.
Café segue como um dos hábitos mais presentes no Brasil
O estudo foi divulgado em um momento de retomada do consumo de café no Brasil. Dados recentes da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) mostram que as vendas no varejo cresceram 2,44% no primeiro quadrimestre de 2026, alcançando 4,91 milhões de sacas comercializadas entre janeiro e abril.
O resultado representa uma recuperação após a retração registrada em 2025, provocada principalmente pela alta dos preços do grão.
Segundo a Abic, o café está presente em cerca de 98% dos lares brasileiros, enquanto o Brasil permanece como maior produtor e exportador mundial da bebida, posição mantida há aproximadamente 150 anos.








