Milhões de brasileiros ainda têm dinheiro esquecido em bancos, cooperativas, consórcios e outras instituições financeiras. Dados divulgados pelo Banco Central (BC) mostram que R$ 10,3 bilhões continuam disponíveis para resgate por pessoas físicas e jurídicas por meio do Sistema de Valores a Receber (SVR).
Segundo a autoridade monetária, somente em abril deste ano foram recuperados R$ 482,8 milhões pelos titulares. Desde a criação da ferramenta, cerca de R$ 15 bilhões já foram devolvidos aos brasileiros que identificaram recursos esquecidos em seu nome.
Apesar de o prazo oficial para transferência dos valores ao sistema ter sido encerrado em março e de o cronograma inicial de resgate ter terminado em outubro de 2024, os recursos continuam podendo ser reivindicados pelos proprietários.
Parte dos recursos foi destinada ao novo Desenrola
O tema voltou a ganhar destaque após o governo federal anunciar a utilização de parte dos recursos não resgatados para fortalecer o programa Desenrola Brasil 2.0, voltado à renegociação de dívidas.
De acordo com o Ministério da Fazenda, R$ 5,7 bilhões já foram transferidos para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), que servirá como mecanismo de garantia para os acordos firmados no programa.
Mesmo assim, os valores continuam pertencendo aos seus titulares. O governo informou que será publicado um edital de chamamento público para regulamentar o processo de contestação e devolução desses recursos. Após a publicação, os cidadãos terão 30 dias para solicitar a restituição. Caso não haja manifestação, os valores serão incorporados definitivamente ao fundo.
Como consultar e solicitar o dinheiro
O Sistema de Valores a Receber permite verificar gratuitamente se pessoas físicas, empresas ativas ou encerradas e até pessoas falecidas possuem recursos disponíveis.
A consulta inicial pode ser feita apenas com CPF e data de nascimento ou CNPJ e data de abertura da empresa. Caso exista algum valor a receber, o cidadão deverá acessar o sistema utilizando uma conta Gov.br nos níveis prata ou ouro, além da autenticação em duas etapas.
O usuário poderá verificar o valor disponível, a origem do recurso e a instituição responsável pela devolução.
O resgate pode ser realizado de três formas: diretamente com a instituição financeira, por meio do próprio SVR ou pela função de solicitação automática de resgate. Nesta última modalidade, disponível apenas para pessoas físicas que possuam chave Pix vinculada ao CPF, o crédito é realizado automaticamente na conta indicada sempre que houver novos valores disponíveis.
De onde vêm os valores esquecidos
Os recursos disponíveis no sistema podem ter diversas origens, entre elas contas-correntes ou poupanças encerradas com saldo remanescente, tarifas cobradas indevidamente, parcelas de operações de crédito cobradas em excesso, cotas de cooperativas de crédito, recursos de consórcios encerrados e valores mantidos em corretoras e instituições de pagamento.
Segundo o Banco Central, até o fim de abril, 41,4 milhões de beneficiários já haviam recuperado seus recursos, sendo aproximadamente 37 milhões de pessoas físicas e 4,5 milhões de empresas.
Por outro lado, mais de 50,3 milhões de beneficiários ainda não realizaram o saque. Desse total, cerca de 45,3 milhões são pessoas físicas e pouco mais de 5 milhões são pessoas jurídicas.




