O programa federal “Crédito do Trabalhador”, voltado a empregados com carteira assinada (CLT), completou um ano de operação em março de 2026 com impacto significativo no mercado de crédito consignado privado. Um novo relatório da Serasa Experian, divulgado nesta segunda-feira (22), aponta que a modalidade ampliou o acesso ao financiamento, mas também alterou o perfil dos empréstimos, que agora têm valores menores e maior pulverização entre instituições financeiras.
Segundo o levantamento, o valor médio dos empréstimos caiu 73% em um ano, passando de R$ 8.600 para R$ 2.300. A mudança ocorre mesmo com o aumento da oferta de crédito e a entrada de mais bancos no segmento.
Dados do Banco Central, analisados pela Serasa Experian, mostram que o volume mensal liberado no consignado privado saltou de R$ 1,5 bilhão para quase R$ 11 bilhões após a implementação do programa. No acumulado, o estoque da modalidade passou de pouco mais de R$ 41 bilhões para cerca de R$ 110 bilhões em março deste ano.
O crescimento expressivo também indica maior competitividade entre instituições financeiras, com a ampliação das ofertas disponíveis para trabalhadores da iniciativa privada, além de domésticos, rurais e Microempreendedores Individuais (MEIs).
Empréstimos menores e prazo mais curto
Apesar da expansão do crédito, o estudo aponta uma mudança no perfil das operações. Além da queda no valor médio dos contratos, houve também redução no prazo de pagamento, que recuou 48% desde a criação do programa.
De acordo com a Serasa Experian, o movimento indica uma maior cautela tanto de bancos quanto de consumidores na contratação do crédito.
Outro dado relevante do levantamento mostra aumento da inadimplência na modalidade. Segundo o Banco Central, a taxa subiu de 4,9% para 6,6% entre novembro de 2025 e março de 2026.
Além disso, o estudo aponta que cerca de 78% dos trabalhadores que aderiram ao consignado já têm 81% da renda comprometida com dívidas, o que levanta preocupações sobre o nível de endividamento das famílias brasileiras.
Contratação digital e desconto em folha
O “Crédito do Trabalhador” permite que o empréstimo seja contratado de forma totalmente digital, diretamente pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, sem necessidade de convênio entre empresas e instituições financeiras.
O modelo garante desconto automático em folha de pagamento e oferece taxas de juros mais baixas em comparação a outras linhas de crédito. O limite de comprometimento da renda é de até 35% do salário do trabalhador.
Diante da expansão do crédito e do aumento do endividamento, especialistas ouvidos pela Serasa Experian defendem a necessidade de reforço na educação financeira da população.




