O dinheiro e a felicidade

6 de fevereiro de 2024 às 5h10

Ah, dinheiro não traz felicidade… Será? Para entendermos a relação do dinheiro e da felicidade precisamos ir um pouco mais a fundo.

A primeira vertente a ser analisada é o conceito de felicidade. Existe a felicidade que faz parte do estado emocional (bem-estar emocional) da pessoa e aquele que chamamos de bem-estar subjetivo que reflete também satisfação com a qualidade de vida.

Então, uma pessoa pode estar emocionalmente feliz, sorrindo, mas insatisfeita com os atributos quem envolvem as relações da qualidade de vida como o seu trabalho, a sua cidade e a sua casa… Então, vamos chamar a felicidade de bem-estar subjetivo para trabalhar a relação entre dinheiro e felicidade.

Esse entendimento dos tipos de bem-estar nos leva a entender que o dinheiro traz felicidade, principalmente quando ele favorece o que chamamos de vida digna. Aqui no Brasil, desconheço estudo que comprove a vida digna, mas segundo um estudo da Universidade de Princeton, de autoria dos ganhadores do Nobel de Economia, Angus Deaton e Daniel Kahneman, pessoas que têm uma renda de 75 mil dólares/ano são caracterizadas com renda digna.

Então quer dizer que quem ganha mais e tem mais dinheiro não é feliz? Não… Aqui que mora a confusão da crença que dinheiro não traz felicidade. O que os ganhadores do Prêmio Nobel de Economia comprovaram é que, até um certo ponto de renda, a felicidade não cresce na mesma proporção, mas ela não necessariamente cai. De maneira bem objetiva: um primeiro carro de luxo pode até deixar a pessoa feliz, mas o segundo carro, não acrescenta felicidade ao indivíduo, mas ele tende a continuar com a mesma felicidade. Então, segundo essa pesquisa, o dinheiro não traz infelicidade como muitos dizem.

O que este estudo nos ajuda é realizar escolhas mais conscientes em relação ao tempo e ao dinheiro, gerando perspectivas de estratégias de equilíbrio na vida e nos negócios. E essa é uma das principais reclamações dos profissionais e empreendedores: equilibrar vida e trabalho. Olhar para a relação do dinheiro e da felicidade nos ajuda a ressignificar muito a relação com o tempo e como estamos gerando esse equilíbrio.

Uma base para cultivar a felicidade é uma vida digna e livre de preocupações. Uma das principais causas da ansiedade é o endividamento e a relação com o dinheiro. Outro ponto crucial é que ver uma sociedade pobre tem impacto direto nas pessoas que já estão livres dessa preocupação. A felicidade é também coletiva e outros fatores como questões emocionais e autonomia importam. A dívida é considerada a escravidão moderna da nossa sociedade, na visão da Economia da Felicidade. Então, se você quer reduzir a ansiedade e estresse no ambiente do trabalho, pense também nestes pontos: se o salário do seu colaborador é fomentador de vida digna e se ele não está com dívidas. Recentemente, a Natura fez um estudo de vida digna para seu ecossistema e desconsiderou as regras do governo CLT para sua base de remuneração. A empresa está criando sua própria base de vida digna com base no processo de escuta do ecossistema. Felicidade é assunto principalmente de economia e alta direção. Está longe de ser uma preocupação só com o estado emocional. É também uma questão econômica.

Nas minhas buscas e pesquisas, participei de um retiro com foco em lucro e compaixão, em Plum Village, na França, e a pergunta que ouvi foi: Você quer ser o número um ou você quer ser feliz? Os monges de lá assessoram altos executivos e a primeira pergunta que eles fizeram ao CEO de uma das maiores empresas do mundo foi essa.

Fica a reflexão para vocês… Eu acredito que há possibilidade de conquistar os dois, mas até você chegar lá e se for essa a sua necessidade, que tal transformar a jornada mais leve, vivendo o presente e equilibrando todas as áreas?

Dinheiro, tempo e emoções positivas em comunidade são fatores fundamentais para o equilíbrio da vida e da sociedade e, por isso, repense o contexto da fala que dinheiro não traz felicidade. Ele, o dinheiro, pode não ser a fonte da felicidade, mas a falta dele pode gerar angústia e infelicidade. Que sejamos felizes e alto índice de bem-estar subjetivo!!!

* Diretora-executiva do Instituto Gaki, organização especializada em consultoria e treinamentos com foco em Educação Corporativa, Serviços de Gestão, RH e Projetos de Impacto ESG. É também podcaster do Propósito na Prática, palestrante, trainer, professora e consultora organizacional.

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