Um novo olhar sobre a inteligência emocional dos estudantes

7 de fevereiro de 2024 às 5h07

Para além do que estamos falando, como estamos falando? A cultura emocional é constituída da capacidade de se conhecer com base não apenas no que você gosta, mas sim em como você gerencia e expressa suas emoções. Esta percepção também nos dá a chance de compreender melhor os outros, sem transpor completamente a nossa personalidade, já que cada indivíduo tem a sua maneira de expressar emoções. Este processo de aprendizagem se dá ao longo da vida e os professores devem enxergar este princípio com clareza.

Inicialmente, é preciso consciência para encontrar o próprio equilíbrio e interagir melhor com os colegas no ambiente profissional. A definição de um sistema organizacional dentro de uma empresa, muitas vezes, negligencia o olhar e a análise dos indivíduos, que são peças-chave na operacionalização do sistema implementado. Todos os líderes empresariais ou chefes de departamento, dizem: “recrutamos por competências e despedimos por problemas comportamentais”.

Existem muitos desafios à frente para as instituições educacionais quando o assunto é o aprendizado das habilidades que até agora eram conhecidas como soft skills e que, hoje, vão muito além de apenas convidar os alunos a se conhecerem.

Mais que esta complexidade psicológica, a autoaprendizagem requer vontade e empenho para ingressar no caminho para a maturidade. O trabalho em grupo ministrado em cursos de graduação requer interações entre os alunos. A relação com o professor também é uma oportunidade de ultrapassar as fronteiras sociais, que o colocam como o mestre da disciplina. A situação se repetirá de certa forma com os gestores hierárquicos. As competências técnicas adquiridas através da formação inicial e da experiência continuam a ser essenciais, mas a capacidade de gerir a prática social torna-se igualmente importante.

Várias técnicas são aplicáveis para esse objetivo. Algumas são muito individuais e podem parecer rigorosas, como manter um diário regular para anotar as principais experiências que despertaram emoções expressadas ou não e observar se impactaram sentimentos. Se escrever um diário não for fácil é possível explorar outros meios de expressão, como o desenho ou diferentes formas artísticas, que sejam oportunidades para comunicar os sentimentos e entrar nessa jornada de auto-observação. A meditação mindfulness também é uma opção interessante e pode ser praticada em vários lugares. Aqui, mais uma vez, devemos estar alertas e encorajados na busca pela realização deste objetivo.

Na SKEMA, apresentam os caminhos para que nossos alunos possam escolher maneiras de se conhecer e propomos estratégias para que eles possam administrar suas emoções de uma forma que seja benéfica e que traga equilíbrio. Desses exercícios deve surgir a capacidade de compreender melhor as manifestações emocionais dos outros e de desenvolver uma empatia verdadeira que, diferente da compaixão, consiste em compreender os mecanismos individuais de cada pessoa, tendo a sua própria realidade.

A prática social é, portanto, um ponto-chave que não perdemos de vista em nossos programas presenciais ou on-line.

Existe uma literatura robusta sobre o desenvolvimento da inteligência emocional. Daniel Goleman é o autor mais citado e muitas vezes considerado o precursor nesse tema, graças ao seu trabalho publicado em 1995. Ele demonstra, com uma certa dose de provocação, que as habilidades emocionais são, talvez, mais decisivas para o sucesso da vida do que o QI, que parecia tão esclarecedor anteriormente. Outras obras contribuíram para o tema, como a de Brené Brown “A Arte da Imperfeição: Abandone a Pessoa Que Você Acha Que Deve Ser e Seja Você Mesmo (2020).

Acredito que esse aprendizado traz muitos desafios para os jovens, que são ainda dependentes de validação, do retorno que recebem em seus posts nas redes sociais, entre outros comportamentos. E com acordos que sempre visam atividades a serem realizadas imediatamente, em detrimento do desenvolvimento da empatia, pensamento crítico e escuta de si mesmo e dos outros.

As emoções são descritas por alguns pesquisadores como universais, aplicando-se a todos os seres humanos, enquanto os sentimentos passam por filtros culturais que são diferentes e dependem do indivíduo. Devemos estar conscientes e aprender desenvolver uma forma de tolerância para compreender o comportamento dos outros. É, portanto, necessário aprender com os outros, além de obter informações através da leitura ou de outros meios.

Na SKEMA, as nossas interações multiculturais se refletem em um corpo docente essencialmente internacional e estimulam esta aprendizagem difícil, porém muito rica, se formos capazes de analisá-la e se formos apoiados por professores que ouvem as experiências dos alunos. Esta semana, receberemos nossos alunos de pós-graduação em Direito e Administração. Eles serão nossos convidados para esta viagem multicultural, na qual terão a oportunidade para desenvolver as suas autorreflexões e saber como orientar as suas vidas. Outro ponto fundamental é saber administrar o seu tempo, mas vamos conversar sobre isso em breve!

* Economista, presidente da Câmara de Comércio Internacional França Brasil/ Minas Gerais e reitora da Faculdade SKEMA Business School.

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