As mentiras convenientes

28 de novembro de 2023 às 0h01

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Crédito: REUTERS/Adriano Machado

O ex-presidente Jair Bolsonaro ocupou-se no seu mandato, e nesse ponto foi pouco diferente da maioria de seus antecessores, da tarefa de conseguir a reeleição. Fez muito mais na realidade. Tratou enquanto pôde e sem medir consequências de desacreditar o processo eleitoral, tentando produzir uma espécie de cunha a ser utilizada, ao menos como desculpa para eventual derrota, mais tarde. E foi ainda além, estimulando por todos os meios a seu alcance algo como uma virada de mesa, ou golpe, deixando claro que o seu “exército” poderia estar a serviço da causa, enquanto “acampamentos” se espalharam pelo País pedindo às Forças Armadas um golpe de Estado, mas “com Bolsonaro na Presidência”.

Para quem tem memória convenientemente mais limitada, falta acrescentar que a explícita conspiração culminou com as manifestações do dia 8 de janeiro em Brasília, quando as sedes dos três Poderes foram invadidas e ocupadas. Seria o pretexto, imaginava-se, para que as Forças Armadas fossem chamadas a intervir. Felizmente os cálculos de apoio estavam superestimados e a baderna, o que de mais grave já aconteceu neste País em termos de afronta aos poderes constituídos, deu em nada, terminando no mais completo vexame. Mas nem assim os ditos “patriotas” se deram por vencidos, primeiro dizendo-se traídos para em seguida acrescentar que tudo não teria passado de sórdida manobra de “infiltrados”.

E nessa toada prosseguiram, embora muito enfraquecidos, agora para tentar transformar em herói e vítima um dos presos de 8 de janeiro, morto na Papuda, Brasília, semana passada. Alguém que não se vacinou, seguindo seu líder, teve Covid, do que resultaram comorbidades das quais acabou vítima. Alega-se que seus advogados reclamaram exatamente que fosse transferido para prisão domiciliar e assim poder receber melhor tratamento, apontando como culpado de tudo, verdadeiro criminoso, o ministro Alexandre de Morais. Só não dizem que o pedido de relaxamento da prisão foi apreciado e negado pelo ministro Kássio Nunes, justo um dos indicados de Bolsonaro.

Revoltados, indignados, ofendidos, agora exigem, e afirmando que falam em nome do conjunto dos brasileiros, as cabeças do ministro e, para completar, do presidente do Senado, caso o mesmo não “tome providências”.

Restaria lembrar aos que ainda fingem não perceber a gravidade dos acontecimentos de janeiro ou reclamam o “devido processo legal” talvez caiba apenas lembrar que a população carcerária no Brasil soma hoje 900 mil indivíduos, dos quais 44% são provisórios, não foram ainda condenados, segundo o Conselho Nacional de Justiça.

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