Reconstruir e recomeçar

1 de fevereiro de 2024 às 5h02

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Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Apesar das concessões feitas, num processo que parece não ter limites, as relações entre Executivo e Legislativo no País prosseguem tensas, estruturalmente desequilibradas a um ponto em que o presidencialismo, tal como deveria ser, parece comprometido. Da mesma forma a governabilidade que a cada passo demanda negociações que, a rigor, não poderiam ser expostas à luz do dia, virtualmente impedindo que a condução das questões que dizem respeito aos interesses coletivos, se não simplesmente à administração pública até mesmo nos seus aspectos básicos. Eis a realidade incômoda que não tem mais como ser disfarçada.

O pluripartidarismo, enganosamente encolhido, gerou fragmentos que só podem ser ajuntados, e ainda assim um tanto precariamente, à custa de entendimentos nada republicanos, para repetir a expressão tão a gosto de comentaristas da cena política. E abriu espaços que têm sido sistematicamente alargados, num processo disfuncional que alimenta tanto a corrupção como compromete a governabilidade.

Perdeu-se, e por completo, o sentido do interesse público tanto quanto da missão dos agentes, políticos ou não, que por ele deveriam zelar. Nesse imobilismo, a respeito do qual não cabe alimentar ilusões, tende a produzir um vazio que pode ser ocupado da pior forma, considerado tudo aquilo que mais de perto pode e deve interessar ao Brasil e aos brasileiros.

Nessas circunstâncias, inclusive, a capacidade de resistir às tentativas de desvio do curso democrático, tão bem evidenciadas há pouco mais de um ano, pode configurar mais uma ilusão. Pelo menos no entendimento alardeado de que o sistema político brasileiro teria demonstrado sua força e integridade no 8 de janeiro. Não, na medida em que os sinais de alerta, apesar de bastante claros, não foram compreendidos dando lugar não às mudanças necessárias e sim, mais uma vez, à acomodação. Afinal, seria de se esperar, diante do acontecido, que a questão da reforma política voltasse a primeiro plano, ocupando as atenções de todos.

Este é o rumo do qual não há como desviar, se não por conta daqueles que possam entender que quanto pior melhor será. O presidencialismo, como resultado de eleições livres e da escolha majoritária, continua sendo a viga mestra do sistema político brasileiro, não podendo continuar sujeito aos riscos decorrentes do pluripartidarismo que nutre alianças da mais baixa conveniência. Assim tem sido e os resultados claramente indesejáveis podem ser percebidos sem qualquer tipo de esforço.

Falta reencontrar o caminho ou, para começar, pelo menos reabrir discussões que estão esquecidas.

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