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Política

Betim investe em infraestrutura em busca de novos caminhos econômicos

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Vittorio Medioli | CréditoL Nayara Menezes
Vittorio Medioli | CréditoL Nayara Menezes

Importante polo industrial mineiro, o município de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), está assumindo sua própria identidade. Esta é a definição de Vittorio Medioli (PSD), prefeito reeleito em 2020, com 76,34% dos votos válidos. Com Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 25,483 bilhões, a cidade vem sofrendo com a queda na arrecadação nos últimos exercícios, mas projeta novos caminhos econômicos a partir da localização estratégica e da vocação logística, tão famosas no País.

Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, em uma série em que o veículo busca conhecer os principais desafios e metas dos prefeitos eleitos em algumas das principais cidades-polo do Estado, Medioli avaliou os primeiros quatro anos na gestão municipal, falou da condução da cidade em meio à pandemia de Covid-19 e os impactos econômicos impostos pela crise sanitária.

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Sobre o mandato 2021-2024, o prefeito garantiu que continuará movido pela honestidade, competência e vontade de fazer, citou projetos que devem sair do papel ainda neste ano, como o esperado Aeródromo Inhotim, e ressaltou a aposta para o turismo na região, enaltecendo a autoestima do betinense que, segundo ele, mais que dobrou desde que assumiu a Prefeitura.

Vittorio Medioli

O senhor foi reeleito. Qual a avaliação do primeiro mandato?

As coisas ainda estão melhorando. Pegamos Betim numa situação caótica, com muitas dívidas, com atitudes impróprias contra a própria lógica do interesse público e colocamos em ordem. Essa coordenação gerou resultados, melhorou bastante o ambiente e agora tenho que continuar a cada dia a implementar métodos melhores.

E o que norteará seu programa de governo entre 2021 e 2024?

Desde o começo do meu mandato o que norteia todas as decisões são a honestidade, a competência e a vontade de fazer. Continuaremos movidos por essas três forças.

Como a política de desenvolvimento de seu programa de governo leva em conta a questão fiscal?

Nós demos ordem à gestão. Diminuímos a burocracia, deixando-a mais intuitiva e mais transparente. E houve uma inversão de atitudes no sentido de não apenas deixar nossos clientes – que são a população, o cidadão e o empreendedor – subirem as escadas, mas nos aproximar deles facilitando, fomentando e dando todo apoio ao que precisarem. A Prefeitura também assumiu a responsabilidade do licenciamento sério, tanto o ambiental quanto o estrutural, unificando os processos e dando mais credibilidade, confiabilidade e celeridade a todas as ações. Isso tem atraído muitas empresas. Acredito que Betim se firmou como município progressista e preparado para o futuro. Muitas empresas ainda se instalarão aqui.

Como está o enfrentamento à Covid-19? Como governar uma cidade deste porte em meio a uma pandemia?

Betim é um dos municípios que melhor vem enfrentando a pandemia, com números de óbitos por 100 mil habitantes baixos – e é preciso considerar que nossos números são transparentes. Fomos também o município que implantou o primeiro hospital de campo do Brasil, montamos um CTI com 170 leitos, o maior do País, apesar de não sermos a maior cidade. E sempre demos assistência de alta qualidade a toda população. Isso fez com que muitas vidas fossem poupadas. Além disso, a Covid foi segregada a um tipo de atendimento dedicado à pandemia. Não deixamos contaminar as UPAs, os hospitais e a nossa rede de saúde e isso tem colaborado muito para que os resultados sejam considerados bem positivos e reconhecidos pela OMS, Ministério da Saúde e também pela população.

E os impactos sobre a economia, os negócios e os empregos?

Depois do primeiro desnorteamento, porque não se sabia o que era a pandemia, fomos também o primeiro município que flexibilizou. Já na terceira semana de abril começamos a reabrir o comércio, a implementar ações de biossegurança, a conscientizar a população, o que tem feito com que a grande maioria adote os métodos corretos. Isso minimizou os impactos e não foi necessário espremer o torniquete na pandemia e convivemos bem. Não há reclamações dos setores produtivos em relação a nossas atitudes. Não quebramos ninguém, chamamos os setores, fomos aprimorando as normas, os métodos de enfrentamentos e hoje temos nos setores produtivos e no comércio uma maturidade que permite uma flexibilização bem maior que em outros municípios. Investimos muito na conscientização, chegando perto da população e explicando que essa batalha não se vence ficando em casa. Se vence indo ao trabalho com responsabilidade.

Como amenizar esses impactos e reaquecer a economia da cidade no pós-pandemia?

Eu vejo que em Betim os impactos já foram em grande parte diluídos, exatamente porque não houve uma restrição tão rígida ou absoluta. Conseguimos resultados também em termos de contágio e óbitos cobrando a responsabilidade de cada um. É claro que tem uma minoria, que pela ignorância ou irresponsabilidade, abusa da própria saúde e põe em risco a dos outros. Neste momento, por exemplo, baixamos normas sobre festas, aglomerações e bares. Deixamos os restaurantes abertos porque não enxergamos neles nenhum risco, desde que atendam as normas de biossegurança. Assim como em outros setores, como as igrejas que nunca foram paralisadas. Houve muito diálogo com todos os setores e a economia não foi tão castigada. Inclusive lançamos uma anistia e tem uma fila de pessoas para pagar o que não conseguiram em 2020, porque a economia voltou, sobretudo no fim do ano passado, com muita força e acena um 2021 bom. Em relação aos empregos, nos primeiros dois meses da pandemia tivemos resultados negativos, mas depois já começou a recuperação e somos um dos municípios com melhor geração de emprego do País, com crescimento nos últimos seis meses. 

E a arrecadação?

A arrecadação sofreu queda, porque foram dois meses com baixa de 75%, o setor automotivo ficou parado em março e abril e voltou só na segunda quinzena de maio. E também houve queda na venda de combustíveis. A maior arrecadação vem desses setores e não se recupera. Entretanto, retornou a um nível interessante, embora inferior a 2019.

Como é dividido o peso dos setores na cidade?

Setores primários são os indutores da nossa arrecadação. Mas quando para, por exemplo, uma Fiat, temos um efeito cascata enorme. Para, diminuiu o volume da massa salarial e toda a cadeia de fornecedores e prestadores de serviços é afetada. O setor em si não é o maior contribuinte ou o único, mas é o maior indutor de arrecadação do município. Mas a Fiat também sinalizou uma recuperação nos níveis de produção e isso tem ajudado a economia a se manter num nível razoável. Em termos de arrecadação de ISS, tivemos um resultado um pouco superior ao de 2019. Já o ICMS caiu. Para 2021 não sabemos como as coisas vão evoluir, mas acredito que a vacina vai dar outro ânimo. Fevereiro acredito que será melhor, e também as festividades de fim de ano e a distribuição do 13º aceleraram muitos abusos que normalmente não ocorreriam. Sobretudo no segundo semestre poderemos ter um crescimento econômico significativo.

O senhor diria que Betim vive nova fase de industrialização, com atração de investimentos e geração de emprego e renda?

Investimos muito em infraestrutura, coisa que não se fazia há muito tempo. Estendemos tapete vermelho para que empresas viessem. E nos últimos 60 dias, grandes empresas de renome internacional como FedEx, Amazon, Sequoia, D2W, Império da Cerveja e a Globo Produtos Sanitários são alguns dos nomes que optaram por se instalar na cidade. Temos o Distrito Industrial Bandeirinhas com 45 novas empresas se instalando; o Pingo d’água, na BR-262 também não tem mais nenhum terreno e conta com mais 23 empresas se instalando. E estamos também dentro dos distritos industriais e logísticos privados com muitas operações. A fábrica da Vilma, por exemplo, deve ser colocada em funcionamento até o final de 2021 e o Aeródromo Inhotim, um aeroporto privado, já possui um cronograma e o começo da obra está previsto para assim que terminar o período de chuvas. Uma estrutura aeroportuária que vai alavancar a nossa economia.

Qual a atual situação do projeto?

Me informaram que já tem um recurso expressivo para tocar a obra durante o ano e também há outras negociações de participação no fundo gestor do aeroporto, que envolve vários investidores. Tem muita gente interessada. O projeto de 4 milhões de metros quadrados de área inclui ainda um condomínio e há fundos estrangeiros interessados nos terrenos. A administração diz que há uma larga margem para captar os recursos suficientes até a finalização da obra, que vai ser de 30 meses. Além disso, temos um estudo de impacto socioeconômico que indica que o projeto proporcionará a abertura de novas frentes de desenvolvimento e um crescimento econômico de 22% na região. Essas empresas de e-commerce estão investindo aqui porque acreditam na instalação do aeródromo e que terão condições de receber e expedir mercadorias através do modal aéreo nos próximos anos.

Há outros diferenciais que têm atraído as empresas?

Tem a vocação logística, já que a cidade fica no entroncamento da BR-381 com a BR-262, no centro de Minas Gerais, que é centro do Brasil. A cidade também é portal Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte e há dados que indicam que 72% dos intercâmbios econômicos vão no sentido Sul. É um entrar natural. Esses grandes e-commerces encontram em Betim um ambiente ideal e também uma disposição de uma cidade a se modernizar. Betim se preparou para exercer protagonismo no futuro. Eles encontram isso. A Prefeitura é de absoluta transparência, grande agilidade, possui interface com empresários e investidores muito simplificada e correta e isso dá segurança a essas empresas, porque elas querem segurança jurídica, respeito ao meio ambiente, condições trabalhistas. São todas condições que Betim hoje consegue oferecer.

E como atrair novos aportes? Em quais setores vê maior potencial?

A recuperação da cidade, a infraestrutura, a limpeza urbana, o funcionamento dos serviços e as praças fizeram com que a cidade se transformasse quase em um polo turístico. Abriram mais de 120 restaurantes, a criminalidade caiu e tem dado confiança às pessoas. Betim está se encontrando como um polo artesanal e cultural e temos ainda um imenso potencial ambiental e ecológico. Estamos atraindo pessoas. Inclusive, as nossas peças 38% dos frequentadores de nossas praças vêm de outros municípios, pois encontraram aquilo que se só se encontrava em Belo Horizonte ou outras cidades. Por isso, eu aposto no turismo. Já criamos uma legislação própria, temos um parque com mais de 10 milhões de metros quadrados de área, proximidade com Brumadinho e o Museu de Inhotim, o Aeródromo, e hotéis fazenda e belezas naturais que ainda não foram devidamente valorizados. Temos ainda o cuidado de não permitir uma ocupação desordenada e predatória, que faz com que a cidade possa ser um ponto de chegada não apenas de turismo, mas também de moradia. Eu acredito que condomínios de alto luxo terão seu futuro por aqui, assim como temos instituído um fundo de habitação municipal e já estamos construindo casas, facilitando, removendo de áreas de riscos e estamos, aos poucos, criando alternativas para a população viver e morar em melhores condições. E o mais importante é que a autoestima, em Betim, cresceu desmedidamente. Mais do que dobrou. Quando entrei só 40% se vangloriavam de ser de Betim e hoje esse índice chega a 90%. Essa autoestima facilita os investimentos, já que as pessoas querem melhorar a própria casa, abrir atividades, gerar renda e emprego. Betim está assumindo sua própria identidade.

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