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Política

CPI da Covid cria sete núcleos de investigação

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Além dos sete núcleos, a CPI vai se reunir entre os dias 27 e 29 de julho com juristas para discutir a tipificação de crimes de investigados | Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Brasília – A CPI da Covid do Senado criou sete núcleos para aprofundar as investigações durante o recesso parlamentar, período em que integrantes da comissão também devem se reunir para discutir a elaboração do relatório final das apurações.

A comissão de inquérito, que tem fustigado o governo do presidente Jair Bolsonaro, foi prorrogada recentemente por mais 90 dias e pode funcionar até novembro.

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O primeiro núcleo de investigação tem por objetivo apurar suspeitas de irregularidades envolvendo hospitais federais do Rio de Janeiro e organizações sociais, com a participação dos senadores Humberto Costa (PT-PE), Eliziane Gama (Cidadania-MA) e Simone Tebet (MDB-MS).

O segundo núcleo pretende se aprofundar nas suspeitas de possíveis atos de corrupção envolvendo o contrato para a compra da vacina indiana Covaxin. Nele, participam Simone Tebet e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Uma terceira linha diz respeito a empresas que tentaram intermediar a venda de vacinas para o ministério, tendo à frente o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Uma quarta frente de investigação quer aprofundar a relação de uma empresa com contratos públicos. Essa investigação terá como supervisores Eliziane Gama e o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

A quinta linha de apuração vai investigar as fake news, a disseminação de notícias falsas para o enfrentamento da pandemia. Alessandro Vieira e os petistas Humberto Costa (PE) e Rogério Carvalho (SE) vão coordenar os trabalhos.

A sexta frente quer apurar o uso de medicamentos comprovadamente ineficazes contra Covid-19 como a cloroquina. Participam dela Humberto Costa, Alessandro Vieira e Eliziane Gama.

A última frente quer apurar atitudes negacionistas do governo ou de simpatizantes, tendo como supervisores Rogério Carvalho e Otto Alencar (PSD-BA).

Além dos sete núcleos, a CPI vai se reunir entre os dias 27 e 29 de julho com juristas para discutir a tipificação de crimes de investigados pela CPI, sob o comando da senadora Simone Tebet.

Processo – O senador Randolfe Rodrigues apresentou ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma queixa crime contra o presidente Jair Bolsonaro por difamação nas redes sociais.

Randolfe quer a retirada do ar de uma publicação de Bolsonaro na qual o presidente afirma que o senador estava querendo comprar a Covaxin sem licitação e sem a certificação da Anvisa e que teria negociado doses da vacina. Junto com as afirmações, o presidente publicou um vídeo do parlamentar. No vídeo, no entanto, Randolfe aparece pedindo pressa para a Anvisa autorizar o imunizante.

O senador quer outras sanções contra o presidente. “É notória a tentativa recente do sr. presidente da República de desviar o foco da CPI da Pandemia – da qual o ora Querelante é vice-presidente -, ofendendo a reputação de seus integrantes”, criticou Randolfe, na ação.

Procuradas, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República e a Advocacia-Geral da União não se responderam de imediato o pedido de comentário.

Bolsonaro é alvo de um inquérito criminal no STF – aberto a pedido da Procuradoria-Geral da República após provocação de Randolfe e outros senadores – por supostamente ter cometido o crime de prevaricação ao não ter tomado providências para barrar suspeitas de irregularidades envolvendo a contratação da Covaxin. O presidente nega irregularidades nesse caso (Reuters)

População demonstra interesse no colegiado

Brasília – Instalada oficialmente em 27 de abril, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia tem despertado cada vez maior interesse da população. De acordo com pesquisa do Instituto DataSenado, 73% dos brasileiros sabem da existência da comissão — número maior do que o registrado em maio, 65%. Dentro desse percentual, 67% afirma estar acompanhando os trabalhos da comissão e, desse grupo, dois em cada três (66%) consideram que a criação da CPI foi “muito importante para o País”.

Encomendada pela própria CPI, a pesquisa ouviu 1.471 brasileiros de 16 anos ou mais, entre os dias 13 e 14 de julho. Segundo o Instituto, as amostras “são totalmente probabilísticas” e têm nível de confiança de 95%. 

Vacinação – No que diz respeito à imunização, 73% da população acredita que o Brasil começou a comprar vacinas mais tarde do que deveria. Desse total, 74% julgam o presidente da República, Jair Bolsonaro, como o maior responsável pela demora. Em seguida, estão a Anvisa (8%), o Congresso Nacional (6%) e os governadores (4%). Para a grande maioria (97%), o número de mortes seria menor caso as vacinas tivessem sido compradas mais cedo.

Em contrapartida, 22% dos brasileiros consideram que a compra foi feita no momento certo e 3% dizem que os imunizantes foram adquiridos até mais cedo do que deveriam.

Pelo Twitter, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), comentou os resultados da pesquisa e reforçou a importância do trabalho do colegiado.

“A CPI investiga sim as razões desta demora e vamos apurar as responsabilidades. Não teremos sessões, mas a CPI não vai parar durante o recesso. Hoje [16/7] mesmo teremos reuniões e traçaremos o planejamento para o reinício em agosto”, escreveu.

Corrupção – Dos temas investigados pela CPI da Pandemia, as denúncias de corrupção na compra de vacinas são os mais conhecidos pelos brasileiros (84%). Assim, os casos de irregularidades mais acompanhados são o superfaturamento da Covaxin (73%) e a tentativa de corrupção na compra da AstraZeneca (54%).

Entre os demais assuntos, mais da metade dos entrevistados (54%) afirma também saber da investigação da indicação do “kit covid” para “tratamento precoce” e 48% sobre a existência de um “gabinete paralelo” atuando junto ao governo federal.

Impactos Para seis em cada dez brasileiros (61%), a vida pessoal e familiar piorou desde o início da pandemia. A pesquisa mostra que pessoas negras e pardas são ainda mais afetadas.

De acordo com a pesquisa, 40% dos brasileiros acreditam que o ano de 2021 está pior que o ano anterior. Em seguida, 24% avaliam que ambos os anos estão iguais e outros 34% afirmam que este ano está melhor. Apesar disso, os resultados mostram uma percepção mais positiva do com relação aos dados observados em março, quando 71% afirmavam que 2021 estava pior.

Em um ano, nota-se uma redução do percentual de pessoas que afirmam ter medo da doença e aumento dos que dizem não ter medo nenhum. Em julho de 2020, eram 49% os diziam ter muito medo — número que caiu para 43% em dezembro do mesmo ano e para 42% em julho de 2021. Entre os que afirmam não sentir nenhum medo, nos mesmos meses, o número subiu de 16%, para 17% e por fim 25%. (Agência Senado)

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