Ramagem vai depor na PF no fim deste mês

Parlamentar foi alvo de buscas na semana passada, em Brasília e em cidades de Minas Gerais

31 de janeiro de 2024 às 21h58

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Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Brasília – O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi intimado pela Polícia Federal (PF) a prestar depoimento no fim de fevereiro sobre as suspeitas de espionagem ilegal envolvendo a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

“Fui finalmente intimado para o final de fevereiro. No mandado de busca eu não tive intimação, eu perguntei. Até [falei]: vamos ao interrogatório. ‘Não, não tem intimação, vai ser posterior’. Diferente do que a imprensa noticiou. Só fui intimado agora”, disse ontem o parlamentar.

A casa e o gabinete de Ramagem foram alvos da PF na semana passada durante a operação batizada de Vigilância Aproximada que investiga a suposta “Abin paralela” montada durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

Ramagem se encontrou rapidamente com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ontem, ao lado do senador Hiran Gonçalves (PP-RR). O deputado se limitou a dizer que a conversa foi boa e que tratou de questões parlamentares.

A oposição tem cobrado uma resposta mais incisiva de Pacheco contra operações de busca e apreensão em gabinetes parlamentares. Além de pedir posição mais firme do senador como presidente do Congresso, parlamentares também defenderam o fim do foro privilegiado.

Após a reunião com Pacheco, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho de Bolsonaro, disse que a Polícia Federal fez “um espetáculo” ao “pousar um helicóptero em uma cidade com 500 habitantes para buscar um telefone de um vereador”, cuja investigação não deveria nem estar no Supremo.

Na última segunda (29), a PF fez buscas contra o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos) na casa onde ele, o pai e os irmãos estavam em Mambucaba, distrito de Angra dos Reis, a 157 quilômetros do Rio de Janeiro, na divisa com Paraty.

Flávio Bolsonaro também afirmou que nunca recebeu nenhum relatório da Abin, e que a PF “cai no ridículo” ao investigar, por exemplo, se o ex-presidente importunou uma baleia durante um passeio de jet ski no ano passado.

“Não existe Abin paralela para favorecer Bolsonaro. Ponto final nisso. Se alguém na Abin fazia alguma coisa de errado, investigava ilegalmente autoridades, eles têm que ser apurados, produzir provas contra eles, e que eles respondam com base na lei. Para favorecer Flávio Bolsonaro, zero”, disse.

Após a ação contra Ramagem na semana passada, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, chamou Pacheco de “frouxo” por não enfrentar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que autorizou a ação da PF na Câmara.

Pacheco reagiu à declaração e, em nota dura, disse que o presidente do PL “passa pano” para o STF nos bastidores quando trata do impeachment de ministros, e usa a política para “obter ganhos com o fundo eleitoral”.

Há duas semanas, o alvo da PF na Câmara foi o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), líder da oposição.

Jordy é investigado no âmbito da Operação Lesa Pátria, que apura o ataque golpista de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos três Poderes, em Brasília.

Pacheco tem dado apoio às duas investigações. No início da semana, o senador afirmou que pediria ao STF “os possíveis nomes de parlamentares clandestinamente monitorados” pela Abin “dada a gravidade que um fato dessa natureza representa”. (Thaísa Oliveira)

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