Livraria Leitura amplia a rede e deixa as “gigantes” para trás

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Livraria Leitura amplia a rede e deixa as “gigantes” para trás
A empresa vai encerrar o ano com 70 pontos de vendas em 19 estados - Foto: Gabi Soutto

Enquanto gigantes do setor de livrarias do Brasil, como a Saraiva e a Cultura, veem-se em dificuldades financeiras, em busca de reestruturação de capital e até pedido de recuperação judicial, a mineira Leitura, com sede em Belo Horizonte, segue investindo em novas lojas e gerando lucros. A receita para o sucesso, segundo o presidente da empresa, Marcus Teles, está no baixo índice de endividamento.

“De fato, os últimos anos não foram nada fáceis para as livrarias, que já vinham brigando com o comércio eletrônico desde 1996. Essas empresas viram seus negócios sucumbirem durante o período de recessão econômica e começaram a ter dificuldades de honrar os compromissos financeiros gerados a partir da tomada de crédito para investir”, avaliou.

Conforme ele, a Leitura também enfrentou tempos difíceis, com crescimento abaixo da inflação registrada nos exercícios de 2015 e 2016. No entanto, a estratégia de não se endividar livrou-a de consequências duras como as que vivem suas concorrentes. “Por estratégia, resolvemos crescer essencialmente com capital próprio. Realizamos alguns empréstimos, mas sem comprometer a saúde do nosso caixa”, revelou.

Assim, em 2017, a empresa já voltou a apresentar crescimento acima da inflação e espera, neste exercício, um desempenho ainda melhor. A expectativa, de acordo com Teles, é de uma alta nas vendas de 8% sobre o ano passado. Já o lucro de 2018 deverá avançar na casa dos dois dígitos em relação ao anterior.

Além da estratégia de baixo nível de endividamento, conforme o presidente da livraria, está a decisão de encerrar as atividades nas lojas deficitárias da rede e a manutenção de uma empresa enxuta. Em média, dois pontos de vendas são fechados a cada ano. “A soma desses fatores nos permitiu crescer mesmo em anos de crise”, completou.

Investimentos – Até o final de 2018, a Leitura inaugurará sete unidades, em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, e também vai implementar o serviço de e-commerce.
Assim, a empresa vai encerrar o ano com 70 pontos de vendas em 19 estados brasileiros. Já o número de postos de trabalho diretos deverá chegar a 2 mil no fechamento deste exercício, sem contar os outros 500 empregos temporários que a empresa gera a cada ano, entre dezembro e fevereiro.

E os planos não param por aí. Conforme o empresário, já existem negociações para 2019. Segundo ele, a média de abertura de lojas deverá seguir a do atual exercício e de anos anteriores: sete. A diferença é que a empresa deverá entrar em mercados onde ainda não atua, como Espírito Santo e Acre.

“O ano que verá será marcado por muitas mudanças em nosso País. Por isso, já fizemos um plano estratégico bem cauteloso, em vista de um mercado ainda em recuperação e que vai nos permitir manter o ritmo de crescimento”, concluiu.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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