Prefeitos mineiros temem colapso

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Prefeitos mineiros temem colapso
Municípios mineradores teemem que a Vale deixe de operar no Estado após a tragédia ocorrida em Brumadinho em janeiro - REUTERS/Washington Alves

A Associação de Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig) pretende iniciar uma campanha em defesa da atividade minerária no Estado. Para isso, já solicitou apoio do governador Romeu Zema (Novo) e pretende incluir ainda a participação do Ministério Público, Judiciário, Legislativo, de órgãos ambientais e do governo federal em uma série de ações em prol da mineração.

De acordo com o consultor de Relações Institucionais da Amig, Waldir Salvador, trata-se de um movimento de diálogo institucional em defesa da atividade e de toda a cadeia produtiva, visando proteger a economia mineira e os milhares de empregos gerados no Estado.

“A mineração é a atividade econômica mais importante de Minas Gerais e carrega toda uma cadeia, envolvendo setores como siderurgia, de fertilizantes e construção civil. Com o fim do setor, o Estado vai se empobrecer ainda mais e nem a tão falada diversificação econômica será possível de realizar”, explicou.

No entendimento da entidade e dos prefeitos de cidades mineradoras de Minas Gerais, o melhor caminho é uma atuação proativa não somente de suas partes, como também do governo estadual. Por isso, na semana passada, se reuniram com o governador para cobrar uma posição.

O objetivo principal, conforme Salvador, foi alertar Zema sobre o risco de colapso das cidades mineradoras e do próprio Estado com a interrupção das operações da Vale e de outras mineradoras. A intenção, segundo ele, é que o governo intermedeie o diálogo, evitando a efetiva paralisação das atividades.

“Uma coisa é o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (RMBH) – ocorrido no fim de janeiro –, e que deve ser averiguado e responsabilizado. Outra, é a extinção da atividade”, argumentou.

Para o presidente da Amig e prefeito de Nova Lima, Vitor Penido de Barros, se não forem adotadas iniciativas para manter a cadeia produtiva, diversas pessoas serão impactadas com as paralisações. “As cidades que possuem atividades minerárias ativas, correm risco de colapso com a interrupção das operações, especialmente, Nova Lima, Brumadinho, Ouro Preto, Congonhas e São Gonçalo do Rio Abaixo”, destacou.

Além disso, a Amig também solicitou ao governador a reedição do Conselho Estadual de Geologia e Mineração, que funcionaria novamente como um órgão de assessoramento à mineração de forma a acompanhar, diligenciar e fomentar a atividade. “Zema disse que irá analisar a proposta e mobilizar o governo para a criação de uma estratégia específica para cuidar desse assunto, sem afirmar se será formatado como um conselho ou uma secretaria extraordinária”, contou o consultor.

Fiscalização – Outra vertente que a associação pretende atacar, de maneira a defender a atividade, é aumentar a fiscalização e cobrança junto aos órgãos de fiscalização e às próprias mineradoras. Segundo Salvador, já houve, inclusive, um encontro da diretoria da Amig, os prefeitos e diretores da Vale, para pedir explicações sobre a informação de que mineradora irá paralisar as atividades em algumas minas.

De acordo com a entidade, os representantes da empresa disseram que a mineradora não tem a intenção de deixar Minas Gerais e que vai continuar investindo no Estado. De acordo com o consultor, foi também o momento de cobrar da empresa uma nova forma de se relacionar com os municípios: com mais clareza e ética.

“Os municípios querem da Vale um tratamento de igualdade, recebendo todas as informações necessárias sobre cada atividade desenvolvida. É preciso se inaugurar uma nova forma de se minerar no País, principalmente nas cidades, porque é nelas que as coisas acontecem.

Queremos isso de forma técnica, institucional e aberta para continuar defendendo o segmento pela importância que possui”, concluiu.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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