Volume de serviços cai 0,9% no Estado diante do clima de incerteza econômica

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Volume de serviços cai 0,9% no Estado diante do clima de incerteza econômica
Das atividades de serviços pesquisadas pelo IBGE, três verificaram queda em março em MG - Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo dc

O setor de serviços em Minas Gerais continua refletindo o clima de incerteza econômica vivido pelo Brasil e, em março, apresentou mais uma queda, neste caso, de 0,9% frente a fevereiro, na série com ajuste sazonal.

No mesmo tipo de comparação, a média brasileira recuou 0,7%. Na variação mensal, o recuo foi ainda mais intenso e chegou a 3,6% sobre igual época do ano passado. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a economista do IBGE Minas Cláudia Pinelli, dos 27 estados investigados, 16 assinalaram retração no volume dos serviços em março de 2019 na comparação com o mês imediatamente anterior. Segundo ela, o movimento já era esperado dado a conjuntura econômica do País.

“O ambiente de incertezas, a queda de expectativas dos agentes econômicos e o fraco desempenho da indústria colaboraram para a retração do setor de serviços, uma vez que a atividade depende de consumidores e empresários e reflete níveis de consumo em todas as pontas”, explicou.

Na variação mensal, o recuo do volume de serviços no Brasil (2,3%) foi acompanhado por 23 das 27 unidades da federação. A principal influência negativa ficou com Rio de Janeiro (-7,4%). Paraná (-6,7%) e Rio Grande do Sul (-6,2%) também superaram Minas Gerais, que observou recuo de 3,6%. Por outro lado, a contribuição positiva mais importante para a formação do índice global veio de São Paulo (1,4%).

Perda de dinamismo – Assim, no acumulado do primeiro trimestre, a média brasileira chegou a 1,1% e a mineira a 0,9%. Nesse ponto, a economista lembrou que, embora os números ainda continuem positivos tanto para o País quanto para o Estado, os resultados estão em retração

“Alguns setores dentro de serviços já começam a apresentar números negativos no exercício, o que mostra a perda de dinamismo da economia”, alertou.

Já no acumulado dos últimos 12 meses, frente a igual período do ano anterior, observa-se um acréscimo do volume de serviços no Brasil e em Minas de 0,6%.

Em relação às atividades, Cláudia Pinelli destacou que, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, apontam variações negativas do volume de serviços os serviços prestados às famílias (-0,9%); serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,8%) e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-11%).

Com isso, no acumulado do ano, serviços prestados às famílias e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio já contabilizam baixa de 2,4% e 3,6%, respectivamente, nos primeiros três meses sobre a mesma época de 2018.

Em 12 meses, serviços prestados às famílias, serviços de informação e comunicação e serviços profissionais, administrativos e complementares ficaram negativos.

Brasil tem sequência positiva interrompida

Rio de Janeiro/São Paulo – O volume de serviços do Brasil foi pressionado pela atividade de informação e comunicação em março e quebrou uma sequência de dois trimestres positivos com contração nos três primeiros meses deste ano, ampliando o cenário de economia fraca no início de 2019.

Em março, o volume do setor apresentou perda de 0,7% em relação ao mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ontem. Esse é o pior resultado para o mês desde 2017, quando o recuo foi de 3,2%.

Com isso, o terceiro trimestre encerrou com contração de 0,6% sobre os três meses anteriores, depois de ganhos de 0,6% e 1,0%, respectivamente, nos quarto e terceiro trimestres de 2018.

Na comparação com março de 2018, houve queda de 2,3%, a mais forte desde maio de 2018 (-3,8%). As expectativas em pesquisa da Reuters eram de recuos de 0,1% na comparação mensal e de 0,8% na base anual

O setor de serviços vem mostrando dificuldades em apresentar uma recuperação contínua em um ambiente de desemprego elevado e acompanha os resultados fracos já vistos na indústria e no setor de varejo.

“Por trás disso tudo tem uma economia lenta, com deterioração nas expectativas de empresários e com projeções cada vez menores para o crescimento do PIB”, afirmou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

“O poder público está sem fôlego para investir e o setor privado não está compensando e preenchendo essa lacuna. A nova aposta para uma abertura de portas aos investimentos e para a atividade econômica é a aprovação da reforma da Previdência, mas quem garante que isso vai realmente acontecer?”, completou.

Atividades – O IBGE informou que, em março, três das cinco atividades apresentaram quedas, com destaque para o recuo de 1,7% em serviços de informação e comunicação. O volume de serviços profissionais, administrativos e complementares caiu 0,1% e o de outros serviços contraiu 0,2%.

Na outra ponta, serviços prestados às famílias aumentaram 1,4%, enquanto transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio tiveram ganhos de 0,5%. Entretanto, o transporte terrestre teve queda de 1,9% no mês, também pesando sobre o resultado.

“Telecomunicações é uma devolução de altas do fim do ano passado e, no caso dos transportes, é reflexo de uma economia lenta e com baixo dinamismo”, explicou Lobo.

Em uma economia com mais de 13 milhões de desempregados e desalento recorde, as expectativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) vêm sofrendo sucessivas reduções.

A pesquisa Focus mais recente do Banco Central mostrou que a projeção mais atual é de uma expansão de 1,45% este ano, indo a 2,50% em 2020. (Reuters)

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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