Reforma tributária: evento discute simplificação de impostos para o País

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Reforma tributária: evento discute simplificação de impostos para o País
Evento promovido pela Fecomércio-MG reuniu parlamentares, empresários, entre outras autoridades para debater o tema - Crédito: Tarcisio de Paula/SESC em Minas

Com a aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno pela Câmara dos Deputados e a expectativa da votação em segundo turno ainda antes do recesso parlamentar, outra discussão começa a ganhar fôlego no cenário nacional. A reforma tributária – tão importante quanto a previdenciária – já está no radar de políticos, empresários e da sociedade em geral do Brasil.

Nesse sentido, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG) saiu na frente e foi a primeira entidade do comércio a trabalhar amplamente o assunto, tendo promovido, junto à Frente Parlamentar Mista da Reforma Tributária, uma audiência pública sobre o assunto. Com a presença de deputados federais e estaduais, representantes de entidades de diversos setores, empresários e demais autoridades, o encontro debateu alternativas para simplificar os impostos no País.

A anfitriã e presidente interina da Fecomércio-MG, Maria Luíza Maia, destacou a iniciativa da entidade ao discutir o assunto. Segundo ela, a Fecomércio-MG representa mais de 720 mil empresas no Estado e apoia toda e qualquer iniciativa que vise ao desenvolvimento empresarial e ao fortalecimento dos negócios em Minas Gerais.

“Estamos ansiosos para as medidas que permitirão ao Brasil voltar a crescer. E tudo o que possa trazer ganho para seus representados, a Fecomércio busca apoiar. O cenário atual dificulta as tomadas de decisões dos empresários em todo o País e posterga a retomada da economia. A reforma tributária é um dos caminhos para se reverter essa situação”, disse.

Propostas em andamento – Presente na audiência, a deputada federal Alê Silva (PSL-MG), membro do grupo de Sonegação Fiscal, falou sobre os projetos que tramitam hoje na Câmara. De acordo com ela, atualmente são dois textos na Casa e ainda se espera um terceiro por parte do governo.

“Não que as propostas colidam entre si, mas acreditamos que é preciso um meio termo, pois nenhuma das duas atende aos anseios da sociedade. E, justamente por isso, temos proposto essa caravana pelo País, no intuito de ouvir contribuições e sugestões do que seja necessário às mudanças na estrutura tributária brasileira”, relatou.

Um dos textos diz respeito à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 293/2004 do ex-deputado Luiz Carlos Hauly. Aprovado em uma comissão especial da Câmara em 2018, o texto extingue oito tributos federais (IPI, IOF, CSLL, PIS, Pasep, Cofins, Salário-Educação e Cide-Combustíveis), o ICMS no âmbito estadual e o ISS nos municípios.

A proposta prevê que, no lugar desses tributos, sejam criados um imposto sobre o valor agregado de competência estadual, chamado de Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS), e um imposto sobre bens e serviços específicos (Imposto Seletivo), de competência federal.

Na última semana, inclusive, líderes do Senado Federal informaram que vão apresentar uma proposta de emenda a este projeto. Na ocasião, o líder do governo, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), afirmou que a proposta é de interesse do Executivo.

O outro texto é a PEC 45/2019 de autoria do deputado Baleia Rossi. A proposta institui o Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS), que substitui três tributos federais – IPI, PIS e Cofins -, o ICMS (estadual) e o ISS, municipal. Todos incidentes sobre o consumo.

No último dia 10, a Câmara dos Deputados instalou a comissão especial que vai analisar o mérito do texto. Em maio, a Comissão de Constituição e Justiça aprovou o parecer sobre a admissibilidade da proposta de reforma tributária.

Frente parlamentar lidera discussões

Criada em março deste ano, a Frente Parlamentar Mista da Reforma Tributária é formada por 187 deputados federais e 39 senadores. O grupo suprapartidário busca debater as alternativas para uma simplificação dos tributos no País e pretende levar a discussão a todas as unidades da federação. Minas Gerais é o terceiro estado a receber o evento, uma vez que o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro já o sediaram.

Representando o presidente da frente parlamentar, Luis Miranda (DEM-DF), o vice-presidente de Estudos e Assuntos Tributários da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social (Anfip), Cesar Roxo Machado, apresentou um resumo do que o grupo acredita ser o caminho para a reforma tributária do País.

Para ele, embora o atual sistema tributário brasileiro não seja o causador da desigualdade social do País, agrava a situação e pode ser um excelente instrumento na redução das diferenças e impulsionador do desenvolvimento nacional.

“Da maneira como está dificulta o desenvolvimento e impede que as empresas concorram e as pessoas consumam”, defendeu.

Machado argumentou que a experiência de outros países mostra a possibilidade de se ter um sistema tributário mais justo, com mais distribuição de renda e, ao mesmo tempo, provendo maior crescimento econômico.

“A questão é que o que é justo para um pode não ser justo para outro. Por isso, acreditamos e defendemos que a reforma não deve passar apenas pela simplificação dos tributos, mas também pela redução, o que somente poderá ocorrer com o aumento do PIB (Produto Interno Bruto). E o PIB, por sua vez, só vai aumentar quando tivermos uma economia mais pujante. Daí a necessidade de se alterar não apenas os tributos sobre a renda, mas, também e principalmente, sobre o consumo”, concluiu.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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