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Remoção de famílias pode viabilizar concessão da 381

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Remoção de famílias pode viabilizar concessão da 381
Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

A concessão da BR-381, mais conhecida como “Rodovia da Morte”, à iniciativa privada pode, enfim, estar mais próxima de ocorrer. Um acordo celebrado pela Advocacia-Geral da União (AGU) vai garantir moradia para 700 famílias que ocupam as margens da rodovia e do Anel Rodoviário, em Belo Horizonte, por parte da futura concessionária que assumirá o trecho que liga a capital mineira à Governador Valadares, no Vale do Rio Doce.

De acordo com a AGU, o acordo é fruto de ação civil pública movida pela Defensoria Pública da União (DPU) e do Ministério Público Federal (MPF) em 2013, com objetivo de garantir moradia para as famílias em vulnerabilidade social que moram às margens da chamada “Rodovia da Morte”.

A remoção das famílias era apontada como um dos entraves para a privatização da rodovia. O governo federal pretende conceder à iniciativa privada 27 quilômetros do Anel Rodoviário e 303 quilômetros da BR-381. Agora, a medida estará prevista no edital de concessão. Esta é a primeira vez que um certame já prevê este tipo de medida.

Procurada pela reportagem, a instituição informou que as empresas que participarão da licitação já saberão – de antemão – da obrigação de reassentar as famílias e que a futura concessionária será responsável pelo reassentamento das famílias cadastradas. Mas ponderou, por meio de nota, que “a construção das moradias não é a única modalidade de reassentamento, uma vez que as moradias poderão ser compradas pela futura responsável pela rodovia”.

Ainda conforme a Advocacia-Geral da União, o acordo visa resolver uma demanda de infraestrutura, a partir da concessão da rodovia federal, e outra social, com o reassentamento das famílias que estão na faixa de domínio da BR.

Já o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pela gestão da estrada e pela licitação, não respondeu aos questionamentos da reportagem até o fechamento desta edição.

Vale lembrar que os 27 quilômetros do Anel e os 303 quilômetros da BR-381 que serão privatizados fazem parte da malha rodoviária com o maior índice de acidentes em Minas Gerais. A execução de obras para melhorar a segurança e aumentar a capacidade de tráfego na região depende da remoção das famílias que ao longo dos anos ocuparam e passaram a viver nas margens da rodovia.

De acordo com a AGU, em acordo anterior, quando foi criado o Programa Judicial de Conciliação para Remoção e Reassentamento Humanizados de Famílias do Anel Rodoviário – o Concilia BR-381 e Anel –, mais de 200 famílias já tinham sido reassentadas.

Agora, a nova medida vai proporcionar uma solução mais rápida para uma ação que já tramita na Justiça desde 2013. Além da Procuradoria da União em Minas Gerais (PU-MG), atuou no caso a Procuradoria Federal em Minas Gerais (PF-MG) e a Consultoria Jurídica junto ao Ministério da Infraestrutura.

Duplicação – Quanto às obras de duplicação e modernização da BR-381, o Dnit liberou no fim de fevereiro, mais 12 quilômetros de trabalhos concluídos, no município de Antônio Dias. O tráfego foi liberado a partir da altura do quilômetro 297, no acesso à pista nova, até o quilômetro 310, retornando para a pista antiga, próximo à comunidade do Machado.

De acordo com o Ministério da Infraestrutura, o Lote 3.1 está com 84,71% das obras concluídas. O segmento liberado inclui parte do trecho binário pista existente, que foi totalmente reconstruído com pavimento em concreto, além de contar com acostamento em toda sua extensão e, ainda, 3 quilômetros de terceira faixa, o que proporciona mais segurança nas ultrapassagens de veículos lentos.

A novela da duplicação da BR-381, no trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares, se arrasta por décadas. Teve início em 2013, com orçamento de R$ 4 bilhões, e ainda está longe de ser concluído.

As obras na rodovia preveem a duplicação e modernização de 303 quilômetros e segundo o Dnit, o empreendimento é considerado prioritário pelo governo federal e vai garantir a redução do número de curvas e, consequentemente, trará mais segurança para os usuários e diminuição no tempo de viagem.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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