Agronegócio

Com retração nas vendas externas de açúcar, setor aposta no etanol para as próximas safras

Queda no preço internacional do açúcar contribuiu para números de exportações baixos
Com retração nas vendas externas de açúcar, setor aposta no etanol para as próximas safras
Usinas em Minas já estudam direcionar maior produção para etanol nas próximas duas safras, segundo informações divulgadas pela Siamig | Foto: Cristiano Machado / Imprensa MG

O ano de 2025 para o setor sucroalcooleiro não repetiu os excelentes números do ano anterior. A exportação de açúcar teve queda considerável, o volume exportado foi 19% menor; e a receita com as vendas internacionais foi 30% inferior em comparação entre os períodos, segundo dados da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (Siamig Bioenergia). Com isso, representantes do setor acreditam que as próximas safras devem priorizar a produção de etanol, outro derivado da cana-de-açúcar.

“O preço de embarque do açúcar em 2025 foi menor do que em 2024, que foi um ano muito bom de remuneração. Já 2025 foi um ano de transição de um preço muito bom para um mais próximo do custo de produção. O preço menor prejudica o produtor”, explicou o presidente da Siamig Bioenergia, Mário Campos.

O presidente ressaltou que, como o mercado interno vem com uma demanda fixa e, às vezes, até menor, a prioridade do setor é a exportação. Assim, as safras para os próximos dois anos, que estão previstas para começar a ser plantadas em abril, devem ter suas produções direcionadas preferencialmente para o etanol, buscando maior rentabilidade.

Os produtores mineiros também acompanharam a queda nas exportações nacionais. Enquanto em 2024 foram exportadas mais de 5,1 milhões de toneladas de açúcar, no ano seguinte houve uma redução de 18%, o que corresponde a mais de 4,2 milhões de toneladas.

A queda internacional no preço do açúcar fez com que o valor tivesse uma retração ainda mais forte, com redução de 26%, fazendo com que a receita fosse de US$ 1,7 milhão.

“Tivemos no ano passado muitas flutuações de preço e, hoje, os preços estão bem baixos. Provavelmente foi postergado algum fluxo de embarque, enquanto no ano anterior foi concentrado fluxo de embarque. Se pegar o histórico das últimas cinco safras, a gente vai observar que o ano de 2024 foi muito maior do que os demais anos. Houve uma concentração da exportação, que pode ter vindo do estoque de 2023 e um pouco de antecipação do açúcar que iria ser exportado em 2025, mas foi em 2024”, afirmou Campos.

Pior exportação de etanol em oito anos

Não foi só a exportação de açúcar que teve queda para o setor sucroalcooleiro. O etanol também registrou o pior desempenho de exportação dos últimos oito anos, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

No acumulado de 2025, a exportação brasileira foi superior a 1,6 bilhão de litros, mas 14,6% menor que o registrado em 2024. Em comparação com a média dos últimos cinco anos, a exportação foi ainda pior, 20% a menos. Já a receita das exportações em 2025 foi de US$ 934 milhões, 11,2% menor do que no ano anterior.

Contudo, a Siamig aponta que quando o preço do açúcar no mercado externo não está muito valorizado, a produção nacional se concentra mais no etanol, visando principalmente o mercado interno.

Os países que mais compraram etanol brasileiro em 2025 foram a Coreia do Sul (780 milhões de litros), Estados Unidos (253) e Países Baixos (221). Outros lugares, como Gana, Filipinas, Camarões, Nigéria, Índia, Suécia e Emirados Árabes Unidos também importaram um volume considerável.

Por outro lado, o Brasil aumentou em mais de 66% a importação de etanol de 2024 para 2025, comprando 319 milhões de litros, principalmente dos Estados Unidos, Paraguai e Argentina.

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