Além do café, frutas vermelhas impulsionam a agricultura em Machado, no Sul de Minas
A cidade de Machado, no Sul de Minas, conhecida pela produção cafeeira, vem se consolidando como importante produtora de frutas vermelhas. Com o apoio da prefeitura e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg Senar), o município desenvolveu o projeto com o objetivo de aumentar a renda das famílias da região, diversificando as atividades.
Com o intuito de otimizar ainda mais os lucros, alguns fruticultores, que também são produtores de café e de leite, decidiram direcionar as produções de frutas vermelhas também para a fabricação de doces e iogurtes, que são comercializados no Sul de Minas.
A região, que está na sétima safra, tem hoje aproximadamente 50 produtores. Destes, 30 são acompanhados por profissionais do Programa de Assistência Técnica e Gerenciamento (AT&G) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), ligado à Faemg.
O sucesso do projeto vem fazendo com que municípios vizinhos, como é o caso de Carvalhópolis e Paraguaçu, venham adotando ações similares, também envolvendo as frutas vermelhas. “Este projeto, que vem desde 2017, foi incentivado pela Prefeitura de Machado, que fez a doação de mudas, a preparação do terreno e ofereceu a assistência técnica. Ele agora serve de inspiração para outras cidades”, afirma a assistente técnica e gerencial do Senar, Paula Lima Dias.
Quatro tipos de frutas eram cultivadas no início do projeto: amora tupy, amora brazos, framboesa e mirtilo. Contudo, com o tempo, muitos produtores tiveram dificuldades no manejo das duas últimas frutas. A assistente técnica destaca que, apesar da decisão de produtores rurais em abandoná-las, essas culturas são boas para a região.
A amora tupy vem sendo priorizada pelos frutiticultores, muito devido ao seu maior valor agregado e por dar menos trabalho. “A maioria está optando por cultivar a tupy, que agrega um valor melhor na venda. A brazos dá mais trabalho, precisa de mais mão de obra e o preço não está legal nesse momento”, esclarece Paula Lima Dias.
Aumento na produção
Pioneiro no cultivo de frutas vermelhas em Machado, o fruticultor Sebastião dos Santos conta com cerca de 4 mil amoreiras, que produzem entre 14 e 15 toneladas por ano. A produção das frutas passou a ocupar lugar de destaque na propriedade, que anteriormente era dedicada mais ao café.
A intenção é quase dobrar o número de árvores frutíferas neste ano. “Nós vamos aumentar mais 3 mil pés. Já era para ter plantado no ano passado, mas abortamos por causa do sol forte”, conta.

O calor forte que vem atingindo a região pode afetar a plantação da amoreira, aponta Santos. Além disso, acelera o processo de decomposição das frutas. O produtor estima que, com as altas temperaturas que vêm afetando a região, tenha perdido cerca de 30% da safra.
Dono do Sítio Sagrada Família, no distrito de Douradinho, Ari Morais estima que a produção dele, plantada em uma área de cerca de um hectare, varia de 15 a 20 toneladas por ano.

O destino das frutas são, principalmente, São Paulo e Belo Horizonte. Mas também agora, elas estão sendo usadas na fabricação de doces e outros alimentos e até sendo destinadas à merenda escolar da região, como ocorreu no ano passado.
Falta mão de obra e sobra calor
Os dois produtores concordam que o grande desafio para o setor é a falta de mão de obra adequada, principalmente durante a colheita.
Grande parte da produção do fruticultor Sebastião Santos é feita em família, com auxílio da esposa, filhas e genro, mas durante a safra ele encontra dificuldades para contratar funcionários.
“Principalmente no caso da amora, que a árvore tem bastante espinhos. Não atrapalha em nada, mas, mesmo você dando equipamento, as pessoas têm certa resistência”, lamenta.
Já Morais comenta que muitos produtores chegam a perder amoras por não terem trabalhadores suficientes para colher as frutas. Ele, no caso, já chegou a ter 15 pessoas trabalhando na colheita durante boa parte do dia.
Doces, geleias e iogurtes
Doces, geleias e iogurtes são alguns dos produtos que os fruticultores vêm produzindo com o intuito de maximizar os lucros. As frutas vermelhas estão integradas a outras produções que eles mantêm em suas propriedades, como é o caso da cafeicultura e da produção leiteira.
“Produzo café, leite e frutas. Agora estou misturando tudo, fazendo iogurte e doce de leite para misturar com as frutas e o café”, comemora Morais.
A produção de geleia artesanal também chegou a ser adotada pela família de Sebastião dos Santos, mas houve problemas. “Nós começamos a fazer geleia artesanal para vendas locais, mas fomos obrigados a parar. A gente ficava o dia todo na colheita e chegava no período da tarde e noite, minha esposa e filha vinham para cozinha fazer geleia e começou a ficar muito cansativo”, explicou o produtor.
Apesar do cenário de esgotamento da família, ele revelou o desejo de retomar a produção de doces em breve.
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