Indústria de pijamas cresce no Sul de Minas, mas esbarra na falta de trabalhadores
Conhecida como a “Capital Nacional do Pijama”, Borda da Mata, no Sul de Minas Gerais, vive um paradoxo: a demanda pelas peças segue em alta, mas a falta de mão de obra especializada impede que a produção acompanhe o ritmo do mercado.
“Falta costureira, que é o que tem sido mais difícil para a gente. Até há demanda, procura pelos produtos, mas não há muita saída para aumentar a produção. A cidade é pequena e não tem mão de obra especializada”, afirmou o proprietário da Pijamas Lua Cheia, João Pedro Brandão, dono de uma das principais fábricas da cidade.
Apesar de ser o 211º município mineiro mais populoso entre as 853 cidades do Estado, Borda da Mata conta com apenas 17,8 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em 2022.
Brandão, que destacou que sua empresa produz de 15 a 20 mil peças por mês, afirmou que a Associação Comercial e Industrial de Borda da Mata (ACIBM) estuda a criação de uma escola de costura, com o objetivo de atender à necessidade dos fabricantes locais.
“A Associação Comercial está com planejamento de preparar uma escola de costura para quem tiver interesse em aprender a costurar, como primeiro emprego, mas ainda não saiu do papel”, afirmou.
A vice-presidente da ACIBM, Célia Paiva, confirma que a associação busca avançar com este projeto. Ela pontuou que é muito comum a contratação de costureiras para a realização de trabalhos terceirizados, para atender à alta demanda das fábricas.
Outro projeto para o setor, segundo Célia Paiva, é a criação de um APL (Arranjo Produtivo Locai), junto a outras cidades da região que também trabalham com confecção de pijamas, roupas e malharia.
Com reposição prevista, fabricantes de pijamas esperam novo ano de alta
Nem mesmo a falta de mão de obra deve afetar negativamente a produção de pijamas na região. João Pedro Brandão afirmou estar otimista com a comercialização deste ano.
“A expectativa é de um ano positivo. A gente trabalha muito com outros lojistas, com produtos que o pessoal revende. As vendas do ano passado foram boas para todo mundo, por isso a gente está esperando que tenha bastante reposição este ano, já que o pessoal vai estar com estoque baixo”, comentou.
Apesar disso, as vendas de início de ano são normalmente mais lentas, aponta o empresário, que alega que os lojistas usam janeiro e fevereiro para fazer os pedidos dos pijamas de inverno.
“A gente lança a coleção em fevereiro, começa a receber os pedidos e entrega em março”, comentou. O crescimento da empresa no último ano foi de cerca de 15%.
Vendas online ainda têm peso reduzido na produção de pijamas
Apesar dos e-commerces estarem cada dia mais presentes na vida da população, a fábrica ainda tem uma porcentagem muito baixa de vendas online, sendo a maior parte feita para a própria região de Minas Gerais e São Paulo, em localidades próximas à cidade.
“A gente até vende para o consumidor final no nosso site, mas é uma parcela bem insignificante do total da empresa. Não chega a 5% das vendas”, disse.
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